sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Revisitando o mito cartesiano

Comentários sobre o mito cartesiano[i]

Descartes acreditava que nosso corpo é só uma máquina e tudo o que ocorre em termos de pensamentos, sentimentos e a consciência estariam em uma “casa” não física e inacessível aos outros (então, como a terapia funcionaria?).

O erro categorial é imaginar que um conceito, por exemplo, a universidade é uma coisa como se fosse os prédios, ruas, bibliotecas e praças que a compõem. Então, onde estaria “a universidade”? Ora, não há uma universidade materializada, ela é apenas um conceito. É um erro de princípio imaginar que o conceito e a coisa pertencem ao mesmo tipo de categoria.

É um erro tratar a mente como uma “coisa” separada do corpo, como se fosse um governador que controla o corpo. Não haveria, então, processos mentais separados do corpo, não haveria uma mente e um corpo. É uma falsa oposição, assim como não faz sentido opor idealismo e materialismo, a questão está mal colocada. Ou determinismo e livre-arbítrio. Ter que tomar parte é outro erro categorial.

Como não trata a mente como uma sala de controle dentro da máquina corporal, Ryle argumenta que não estados mentais privados, mas disposições corporais. Tomando como exemplo a generosidade, ela não é algo que está “dentro” de nós, mas uma disposição de agirmos com generosidade. Não é uma força interna misteriosa, algo que deveríamos procurar dentro de uma mente.

Da mesma forma, inteligência é resolver problemas ou a capacidade de aprender. Algo prático, portanto. Em se tratando de disposições, isso não significa que sejamos um autômato que não tem escolhas: volta-se ao erro de categoria do determinismo em oposição ao livre-arbítrio, já que esse não é um poder misterioso. Livre-arbítrio não passa de uma capacidade de agir conforme nossa razão ou nossos desejos determinem.

Nesse sentido, nossas decisões não partem de um controlador central já que a mente se mistura com o corpo e há múltiplos fatores competindo em nossas deliberações. Fatores baseados em nossas experiencias e escolhas já realizadas.

Não menos importante é o aviso de que um vocabulário de cunho mentalista traz termos que podem nos levar ao tratamento de complexidades desnecessárias. Nos leva a falsa escolhas entre idealismo e materialismo, corpo e mente, entre outras. Enfatiza-se que determinadas palavras podem nos confundir na análise dos nossos comportamentos e do funcionamento da mente. Há que se prestar atenção no uso da linguagem para evitar cairmos em erros categoriais. Vale uma reflexão entre a teoria filosófica e a vida ordinária.

Post-script: podemos especular que submeter a mente a leis próprias, do ponto de vista epistemológico, poderia leva-la ao determinismo, já que haveria ali leis fixas. Por outro lado, eticamente falando, desassocia-se a mente do mundo, como se ela não dependesse de nossa experiencia.

 

Mito cartesiano

https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/2020/05/o-mito-de-descartes-doutrina-oficial.html

Doutrina Oficial

Corpo: publico

Mente: privado: conhecimento indubitável – suspensão do juízo

Exterior x interior: metáfora – estímulos longínquos – afeta um controle central

Transições: psicologia x fisiologia

Representação cartesiana??

Dois tipos de existência, tempos diferentes, diferentes objetos

Robson Crusoé

Objeção: Freud e o inconsciente

Observação da vida interior: não se pode falar da vida interior dos outros

Corolário

Alicerce para construção de teorias... Lugar da mente e sua natureza!

Absurda da Doutrina

Erro em princípio – erro de categoria

Espírito de equipe x ações = terceira coisa?

Erro teórico x erro de conceito: igualar corpo e mente

Portanto: fantasma

Origem do erro

Mecânica de Galileu: mente fora (cunho moral)

Hobbes: mundo mecânico

Problema gramatical: vocabulário invertido para a mente

Como explicar a causação

Determinismo x Libre Arbítrio

Criterios de primeira pessoa x de terceira pessoa

Exemplo Dickens

Conjugar processos mentais e físicos

Consequências: acabar com a crença dessa divisão infundada

Ryle: deflacionário

Nota histórica

            Influência de teorias teológicas sobre descartes



[i] Revisitando o mito com a ajuda de um vídeo criado por humano e um áudio criado por máquina. “Baby, oh, baby, Bem-vinda ao século XXI”. https://youtu.be/AzHlhuLAFY4  https://youtu.be/XUeAQXL_0jc 

sábado, 9 de novembro de 2024

Repetição e esquecimento

“Faça isso.” Tic-tac-tic-tac. “Não fez? Vê se não esquece!” Tic-tac-tic-tac. “Fez? Ah, não é desse jeito! Está errado!”

Pedido – esquecimento – novo pedido – execução – culpa.

Esse tipo de cenário é corriqueiro em nossas vidas e exatamente a quantidade de esquecimentos entre os pedidos pode variar bastante. Há situações, falemos de duas.

Situação banal de esquecimento: com a quantidade atual de informações que nos atingem e com a diversidade de atividades que fazemos concomitantemente, há dificuldade em se prestar atenção. A origem aqui pode ser a ausência de concentração ou dificuldade de priorização.

Situação distinta de esquecimento: idosos esquecem, ponto. Não há o que fazer, está dado e pode haver inúmeras causas oriundas de uma vida inteira e de uma situação atual. Idosos não são culpados por esquecer e, pensando inversamente, a criança é culpada por esquecer? “Obedeça!” Bem, deixemos esse assunto para outra ocasião.

Dito isto, repetição é a palavra do momento. Mas qual o problema em repetir? E por que a não execução indica culpa? Ora, ora, vida corrida, vida ingrata, vida dispersa.

O problema não deveria ser o esquecimento, mas em se tratar como problema a repetição. Ouvi de um professor longevo que o que mais fez na vida foi repetir! Cantores repetem as mesmas músicas por anos a fio.

Se olharmos atentamente, a repetição não é ato simples: a repetição é do mesmo? Quando vamos ao banheiro fazer xixi, obviamente fazemos xixi, mas é sempre o mesmo xixi? Repetição de palavras, de ideias, repetição de sons, de ações. Repetições que se repetem sem se repetirem. Podemos considerar que uma repetição não é simplesmente uma repetição porque nunca é a mesma coisa, senão não seria repetição, seria a mesma coisa.

Então, a repetição de duas coisas apresenta uma diferença e é exatamente essa diferença que se sobressai para que possamos entender a constituição do processo da repetição. Por que ela ocorre e qual sua meta? No caso da repetição de um pedido ou ordem, qual ênfase que é dada em determinadas palavras? Qual o tom de voz ou a abordagem que suscita a diferença entre duas repetições de um pedido malfadado? A ordem envolve quem manda e quem obedece e nesse jogo ambos os atores devem se empenharem para que haja um resultado satisfatório.

Já para Nietzsche, a repetição é conceito central e o eterno retorno fundante para o sentido da vida. Ou seja, o telos não é algo adiante, mas algo que voltará. Não deveríamos viver a vida esperando uma recompensa futura já que vamos voltar do mesmo, cometendo os mesmos erros e sentindo as mesmas culpas. Importa viver aqui e agora. Sendo assim, o tic-tac-tic-tac não é de espera, ansioso por um novo pedido ou pela repetição do pedido anterior. Nada disso, clamemos por um tic-tac-tic-tac demorado, que permita reflexão e elaboração. Ou, de modo diverso, se não vamos escapar do céu ou do purgatório, como diria Juca Teles, vamos pular o carnaval!

Voltando ao que cochichou o professor, depois de tratarmos da repetição em sua ontologia ou ética, voltemos à repetição pedagógica que ele a nós assoprou remetendo a Paulo Freire. Ela vai no sentido que dizíamos, de que a repetição é um processo de formação de consciência e não repetição mecânica. Repetição com diálogo e aprofundamento, com entendimento da situação prática dos envolvidos e que nos leve a melhores interações e uma vida melhor.

Post Script: esse texto contou com um pouco de filosofia de botequim, um pouco de referências pessoas e muita ajuda do conhecimento sintetizado no deusgpt.

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Você disse: resuma brevemente o livro diferença e repetição de deleuze. O ChatGPT disse:

Diferença e Repetição (1968) de Gilles Deleuze é uma obra central da filosofia contemporânea que critica a tradição metafísica ocidental, onde predominam as ideias de identidade e representação. Em vez disso, Deleuze explora a diferença em si, separada de uma referência a um "mesmo" ou a uma identidade fixa.

O livro propõe que a filosofia, a ciência e a arte devem se concentrar mais na diferenciação e na repetição como processos criativos e produtivos. Ele argumenta que a repetição não é simplesmente a repetição do mesmo, mas uma expressão de diferença, e que as estruturas da realidade, da natureza à sociedade, emergem de forças que se diferenciam continuamente.

Essa obra complexa e abstrata abre caminho para uma filosofia do devir e influencia muitos campos, incluindo a teoria crítica, a psicanálise e os estudos culturais. Deleuze questiona a necessidade de pensar o mundo em termos de unidades idênticas e propõe uma abordagem mais fluida e diversa para o pensamento e a existência.

Você disse: qual o sentido da repetição para Nietzsche? O ChatGPT disse:

Para Nietzsche, a repetição é abordada principalmente através do conceito do "eterno retorno" (ewige Wiederkehr), que é uma das ideias centrais em sua filosofia. Esse conceito sugere a hipótese de que tudo na existência se repete infinitamente, em um ciclo eterno. No entanto, Nietzsche não entende essa ideia de forma meramente literal, mas como um experimento de pensamento e um desafio existencial.

O eterno retorno serve como uma espécie de teste ético e existencial. A ideia é perguntar a si mesmo: "Se minha vida, com todas as suas dores, alegrias, erros e acertos, se repetisse eternamente, eu a desejaria mesmo assim?" A repetição, assim, é uma prova de amor à vida, um convite para viver plenamente e afirmar a existência tal como ela é, sem arrependimentos. Nietzsche chama essa postura de amor fati (amor ao destino): aceitar a vida em sua totalidade, com suas inevitáveis dificuldades, como algo que se escolheria infinitamente.

Esse conceito da repetição desafia a visão cristã e platônica de uma vida linear com um propósito ou redenção final. Em vez disso, Nietzsche usa a repetição para promover uma filosofia do aqui e agora, em que o valor da vida se encontra em vivê-la intensamente e de forma afirmativa.

Você disse: qual o sentido da repetição para paulo freire. O ChatGPT disse:

Para Paulo Freire, a repetição tem um papel transformador no processo educacional e no desenvolvimento da consciência crítica. Ao contrário de uma repetição mecânica, que reforça a memorização sem compreensão, Freire defende uma repetição dialógica e reflexiva, em que os alunos revisitam conceitos para aprofundar o entendimento e conectar o aprendizado à sua realidade.

No método pedagógico de Freire, a repetição é parte de uma prática crítica que leva à conscientização (conscientização), em que os educandos repetem processos de reflexão, discussão e ação. Esse tipo de repetição estimula a criação de sentido, ajudando os alunos a questionar e transformar suas condições de vida. Freire acredita que a verdadeira educação deve ser um processo contínuo de transformação, em que o conhecimento é construído coletivamente e criticamente.

Em resumo, para Paulo Freire, a repetição, quando usada como uma ferramenta de diálogo e reflexão, é essencial para consolidar a aprendizagem crítica, permitindo que o estudante avance em seu processo de emancipação e transformação social.


domingo, 3 de novembro de 2024

Alma feliz

Aborda aspectos da alma aristotélica[i]

Uma metafísica é uma teoria que visa explicar a totalidade das coisas ou do que o mundo é feito, a chamada mobília do mundo. Para Aristóteles, a realidade é composta de dois princípios: ato e potência, que são responsáveis pelo movimento, seja o deslocamento ou movimento qualitativo como, por exemplo, envelhecer. Algo é em ato (atualmente) ou em potência, pelo fato de poder vir a ser algo, sendo que a mudança é a passagem do ato para potência e vice-versa.

Agrega-se que há quatro causas para a realidade: o que a gerou (eficiente), seu aspecto material, sua definição (formal) e propósito (final, teleológica). Em sua nomenclatura taxonômica, Aristóteles define o ser racional como composto de matéria (corpo) e forma, sendo esta última a alma, mas forma no sentido de definição: “atualidade de um corpo vivo orgânico”. Ocorre que, se por um lado a alma “informa” o corpo atual, ela também poderia ser a forma de um corpo em potência e, nesse sentido, independente dele, separada.

Vitor caracteriza a alma como o código que informa como um corpo funciona, a que aquela coisa se destina. Como se a alma fosse o software e o corpo o hardware, trazendo para uma nomenclatura tecnológica que é usada contemporaneamente. Nesse sentido, não é sobrenatural, mas o que faz com que o corpo funcione. Se o corpo é a causa material, a alma é nossa forma, o modo, no sentido de motor, e final ao nos orientar[ii].

Para Aristóteles, há uma alma vegetativa, cuja forma é fazer com que planta se nutra e reproduza. Além dela, nos animais há uma alma sensitiva que os permite sentir dor e prazer. Por fim, há a alma racional responsável pelo pensamento. Sendo três faculdades nos seres humanos, é a mente (nous) que designa a parte racional e mais elevada da alma, assim como o era para Platão. É nossa capacidade de emitir juízos universais, que são conceitos, ao passo que os particulares são emitidos pela sensibilidade, que se refere a indivíduos.[iii] Ainda, há uma razão prática que lida com assuntos humanos, deliberando e uma razão teórica que visa verdades eternas.[iv]

 Vitor também ressalta que há uma hierarquia entre o que é melhor, mais autônomo e o que é pior, menos independente, sendo que a última é a parte da alma que se destina aos sentidos, e a mais autônoma se destina às Ideias, atividade contemplativa que geraria uma felicidade perfeita. Mas lembremos que é uma atividade para poucos.

Essa reflexão e a anterior visam então tratar as diferenças de abordagem da relação corpo-alma em Platão e Aristóteles.[v]

Fechemos com as considerações que Vitor traz dos helenistas. Para eles (epicuristas e estoicos) a realidade é material e eles são considerados materialistas. Assim, a alma só pode ser corpórea, senão seria um mero nada. Já Lucrécio considerou que a parte da alma que comanda está localizada no peito e a outra parte está subordinada à mente e espelhada pelo corpo, algo que seria similar ao nosso sistema nervoso. Ética e existencialmente falando, como a alma é corpórea, não devemos temer a morte, pois ela é o vazio, e não há dor nem prazer. Já os estoicos também consideravam a alma algo material, mas tratando a realidade como divina. Na morte a alma material se junta na alma divina, desintegrando-se e reintegrando-se ao todo. Para Cicero, o espírito se dividia em pensamento e vontade. A vontade, no nível racional, ainda pode deliberar, estando acima do desejo, algo fora de nosso controle.



[i] Esse texto é um resumo da aula de Vitor Lima no Youtube https://youtu.be/dl9EpFG5rLw, acesso em 2 de novembro de 2024. Filosofia da Mente: a alma na Filosofia Antiga (Parte 2). Ele perpassa as obras De Anima e Ética a Nicômaco.

[ii] A alma é como algo impresso no corpo, assim como a cera com um selo impresso, trazendo exemplo Aristotélico e que são concebidos integrados.

[iii] Assim, contrapõem-se uma garrafa e a garrafa, como exemplifica Vitor.

[iv] Logistikon – possível e epistemonikon – necessário. 

[v] https://chatgpt.com/share/6726a36d-d618-800a-b7fd-d8eba2d9dd09.

sábado, 2 de novembro de 2024

Alma em conflito

Passemos por dois argumentos platônicos sobre a existência da alma[i]

Nosso tema aqui trata da dualidade corpo e alma e visa trazer aspectos da contribuição de Platão para esse debate, certamente uma primeira posição mais estruturante na Antiguidade. É um recorte sucinto para que tenhamos parte da opinião antiga em contraponto ao que temos tratado. Platão, se é um dualista, não é puritano a ponto de desprezar o corpo como um mal, que interferiria na pureza da alma[ii]. Na realidade o corpo não se opõe à alma, mas a tendencia, desviando-a de suas virtudes pelos vícios que deveriam ser superados pela atividade filosófica.

Mas o primeiro argumento platônico que queremos destacar, usado por Victor Lima, é o argumento dos contrários, que aparece no Fédon. Ocorre que, se o corpo é um entrave, dele nos livraríamos pela morte quando a alma estaria livre. É nesse ponto, segundo Araújo, que Platão lança mão do argumento, numa perspectiva ontológica diferente do viés ético que vínhamos comentando e que visa investigar um modo de ação que busque o bem.

A base do argumento socrático é que há uma relação de oposição em tudo o que existe e cuja chave de leitura se poderia compreender por processos de geração e corrupção dos seres. Algo é menor porque foi maior; do mais rápido se origina o mais lento e uma coisa é melhor se antes ela foi pior[iii]. Note-se que há um processo cíclico: de um contrário ao outro e, de novo, ao seu contrário, pois se assim não fosse um dos contrários se anularia. “Do estar vivo se gera o estar morto, e do estar morto se gera o estar vivo: que outra origem haverá para a vida?” (p. 122).

Na sequência Platão trata do argumento da anamnese, já que a alma sobrevive ao corpo, em uma nova vida corporificada ela terá conhecimentos anteriores que precisam ser recordados. E é interessante notar com Araujo que as reminiscências da alma acabando passando por um conhecimento pela via do sensível, assim suavizando o papel maléfico do corpo e enlaçando o sensível ao inteligível[iv].

Sobre a composição da alma, que faz parte do segundo argumento platônico que queremos destacar, Victor Lima satiriza o tema com a crença de que haveria uma polarização entre sermos, algumas vezes, irracionais em determinadas atitudes, ao invés de racionais. Porém, não é isso que Platão expressa. Uma tripartição da alma mostra que há uma racionalidade envolvida que pode optar por um vício ou uma virtude.

Pontuemos[v] que a alma é tema amplamente abordado por Platão[vi]. O Fédon é o diálogo que trata da morte de Sócrates e nele há uma defesa da eternidade da alma, da reminiscência, da afinidade da alma com o mundo das Ideias e tratando-a como indivisível e imortal. Já o princípio da tripartição da alma é apresentado na República e estabelece que uma mesma coisa não pode ter propriedades que sejam contrárias na mesma parte e ao mesmo tempo, por isso a divisão em razão, espírito e apetite. Cada parte da alma tem uma função específica, conforme argumenta Silva, seja buscando a verdade, a honra e o prazer. Uma alma tripartite aparece quando ela entra em contato com o corpo e deve lidar com seus desejos, dores e apetites. Isto é, dentro da alma há um conflito entre esses desejos.

Passa-se que há, por um lado, cálculo racional e, por outro, um impulso irracional. Mas o cálculo racional não é simplista em relação aos fins, ele leva em conta a noção de bem inerente da alma e oriunda de seu estado puro. Assim, visa orientar desejos aparentemente irreconciliáveis ao que é bom, pelas virtudes em oposição ao que é mais vantajoso e havendo que se afastar dos impulsos conflitantes. Por fim, pode-se notar que há um processo complexo de busca pelo bem na abordagem de Platão, onde a razão se integra com emoções e desejos tendo como norte uma vida harmoniosa.



[i] Com base em https://www.youtube.com/live/yrgT7en77Kg, Aula 2: A alma na Filosofia Antiga (Parte 1) - Curso Filosofia da Mente. Canal https://www.youtube.com/@istonaoefilosofia. Em 25/10/2024. Conforme, Victor Lima, alma é o que hoje podemos chamar, de certo modo, de mente.

[ii] Conforme https://www.anpof.org.br/periodicos, Portal de Periódicos da ANPOF. Revisa de Filosofia Argumentos. As perspectivas onto-epistemológica e ético-antropológica da dualidade corpo/alma, no Fédon, de Platão: https://www.anpof.org.br/periodicos/argumentos-revista-de-filosofia-ufc/leitura/675/24999. Acesso em 27/10/2024.

[iii] Idem, conforme as citações do Fédon, pg. 122.

[iv] No cabe trazer à tona o argumento detalhadamente, apenas marcamos os pontos principais que nos poderão ser uteis quando colocamos em perspectiva a uma abordagem moderna ou contemporânea.

[vi] Não trataremos dos diálogos Fedro, Timeu, Mênon e Leis, eles não são referidos por Vitor Lima. 

sábado, 19 de outubro de 2024

Comprimindo sistemas complexos

Traz aspectos da classificação de Dennett para termos intencionais[i]

Retomando a conceituação de Dennett para uma mente, cabe passar pela tese da inescrutabilidade da referência.

Há um dado que é a dificuldade de explicar uma mente, dada a sua complexidade. Já abordamos que, para Dennett, a mente é uma construção teórica que utilizamos para a descrição do que ocorre no cérebro. Nesse sentido, utilizamos o vocabulário da psicologia popular que atribui um sistema internacional a organismos dito inteligentes. Porém, não há, no cérebro, intenções, crenças e desejos, há somente neurônios, sinapses, tempestades elétricas e coisas semelhantes.

Ora, para crenças, intenções e desejos há a inescrutabilidade da referência, isto é, não conseguimos investigar a referência de tais estados mentais porque há indeterminação da tradução de estados mentais em estado celebrais. Dennett empresta a tese quineana da tradução radical que postula que, ao utilizarmos a tradução de termos de outras línguas para nossa pela observação do comportamento, podemos ter como resultado vários manuais, pela falta de definição de critérios.

 Lembremos de gavagai: é um coelho, é comida ou é a orelha do coelho? A tradução usada pela observação, e não pelo significado, torna a referência inescrutável. Entretanto, isso não abala neurociência que tenta decifrar o código cerebral / neuronal. Ela ganha força com avanços da biocomputação, com a capacidade de implantação de nano chips no cérebro e técnicas de neuroimagem.

Ocorre que, por mais que haja sucesso em alguns experimentos, Dennett jocosamente chamará esses cientistas de neurocriptógrafos que buscam construir um cerebroscópio capaz de escanear nosso cérebro. Assim, para descobrir se um suspeito é o criminoso, bastaria olhar seu cérebro[ii].

 Por fim, Teixeira apresenta a visão de Dennett para a folk psychology. Em um primeiro momento destituindo-a de ontologia e sem papel causal sobre o corpo, depois tratando-a instrumentalmente, como mera ilusão, o que o levou a ser considerado um relativista. De fato, há dificuldade em se encontrar um lugar para os termos intencionais dentro do cenário materialista. Mas a posição final de Dennett será o meio termo entre instrumentalismo e realismo: os termos intencionais serão classificados de “abstracta”, como por exemplo, um “batalhão de soldados” ou “corpo diplomático”. É um realismo moderado. É como o centro de gravidade: artefato teórico que existe, mas não é um objeto físico. Da mesma forma que crenças é desejos.

Além disso e primordialmente, “abstracta” nos permite identificar padrões de comportamento, encontrar regularidades comportamentais por meios de algoritmos de compressão. Dada a enormidade de padrões de comportamentos, podemos comprimi-los por meio de intenções, crenças e desejos, podemos condensar sistemas complexos. São os abstracta que nos capacitam a fazer previsões e sobreviver já que, no geral, não se vê aleatoriedade absoluta na natureza.



[i] Finalizando o primeiro capítulo de A mente segundo Dennett, de, João de Fernandes Teixeira. São Paulo: Editora Perspectiva, 2008.

[ii] Mas não entraremos aqui nos detalhes da replicação de DNA, uma suposta versão biológica da máquina de Turing, e nem na argumentação de Siegfried contra a leitura cerebral. 

domingo, 6 de outubro de 2024

Searle contra Dennett*

Searle contra Dennett: conhecimento do Blog até outubro de 6 de out. de 2024 00:24

O que se segue é uma coleção de posts sobre a filosofia da mente deste blog. Os posts exploram ideias de vários filósofos, incluindo Searle, Dennett e outros. Os tópicos abordados incluem a relação entre mente e corpo, a natureza da consciência, o papel da linguagem, a inteligência artificial e o teste de Turing. Os autores discutem a natureza da mente, se é uma entidade real ou uma construção teórica, se a mente é uma propriedade do cérebro ou algo separado, se é possível para máquinas terem consciência e se é possível criar uma teoria da mente que possa explicar o comportamento dos robôs. Temos principalmente as ideias de Searle e Dennett sobre a mente e a consciência,  apresentando suas principais diferenças:

Searle:

  • Dualismo: Argumenta que a consciência é um estado mental subjetivo que não pode ser observado diretamente. Acredita que robôs podem ter consciência sem se comportar como humanos.

  • Ontologia: Defende que a consciência é um conceito ontológico que não pode ser explicado pela neurofisiologia.

  • Epistemologia: Argumenta que o comportamento é um conceito epistêmico que não pode ser usado para determinar a existência da consciência.

  • Realidade: Acredita que a consciência é um fenômeno biológico natural, defendendo que a ciência moderna se baseia na separação entre mente e matéria, mas essa separação é um obstáculo à compreensão da mente, que deve ser compreendida como um fenômeno biológico natural. 

Dennett:

  • Funcionalismo: Acredita que os estados mentais são propriedades físicas e usa o exemplo do vírus como um agente que, mesmo sem consciência, realiza ações intencionais para sobreviver. 

  • Intencionalidade:  Considera a mente como um comportamento que governa as ações, ajudando a entender a evolução da mente e as diferenças entre humanos e outras espécies.  

  • Evolução: Acredita que a mente humana é resultado da evolução e que a linguagem é um fator importante para nossa capacidade de conhecimento.

Diferenças:

  • Existência da Mente: Searle acredita na existência da mente como uma entidade real, enquanto Dennett a considera uma construção teórica útil, mas não uma entidade real.

  • Método de Investigação: Searle defende uma abordagem mais tradicional, enquanto Dennett defende uma abordagem mais funcionalista e evolucionista. 

  • Natureza da Consciência: Searle acredita que a consciência é um fenômeno subjetivo, enquanto Dennett a considera um sistema intencional que pode ser usado para prever o comportamento de um indivíduo.

  • Inteligência Artificial: Searle é mais cético em relação à possibilidade de uma máquina ter consciência, enquanto Dennett é mais aberto a essa possibilidade. 

Em suma, a principal diferença entre os dois é a visão sobre a natureza da mente: enquanto Searle a considera um estado mental subjetivo e ontológico, Dennett a considera um sistema intencional que pode ser usado para prever o comportamento de um indivíduo.

28 de fevereiro de 2016: Haveria independência entre a mente e o comportamento?

Este documento discute a relação entre o cérebro, a mente e o comportamento. Searle argumenta que a consciência é um estado mental subjetivo que não pode ser observado diretamente por uma terceira pessoa. Searle argumenta que é possível que robôs possam ter consciência sem se comportar como humanos.Searle argumenta que a consciência é um conceito ontológico que não pode ser explicado pela neurofisiologia. Searle também argumenta que o comportamento é um conceito epistêmico que não pode ser usado para determinar a existência da consciência.

20 de março de 2018: Os qualia

O texto argumenta que o conceito de qualia, que se refere às características intrínsecas de nossas sensações, é problemático. Ele destaca a incongruência entre a intuição e a ciência na abordagem dos qualia. A intuição, que nos dá acesso direto às qualidades do mundo, se contrapõe à ciência, que busca uma descrição objetiva do mundo, sem levar em conta a experiência subjetiva. Vicentini, o autor do texto, argumenta que a abordagem do qualia pela tradição é equivocada. Ele argumenta que a crença dominante nas ciências da mente, o fisicalismo, trata os qualia como algo inefável, de acesso somente privado e intrínseco a cada um de nós. Ele critica a abordagem de Nagel e Jackson, que usam o conceito de qualia para criticar o fisicalismo, dizendo que ela é baseada em intuições equivocadas e viciadas na visão cartesiana do mundo. Vicentini argumenta que o problema não está na existência dos qualia, mas sim na forma como eles são tratados pela tradição. Ele sugere que a questão dos qualia deve ser repensada, e que devemos procurar uma abordagem que não seja baseada em intuições equivocadas e que leve em conta as diferentes perspectivas sobre o mundo.

10 de abril de 2020: A consciência subjetiva é parte da realidade

O artigo analisa o pensamento de John R. Searle sobre a filosofia da mente, com foco na sua crítica ao dualismo e materialismo, mostrando como a sua perspectiva se afasta das visões tradicionais. Searle critica o materialismo por reduzir a realidade a uma realidade física observável, ignorando o componente subjetivo da consciência e, portanto, a irredutibilidade da compreensão da realidade. Ele argumenta que a ciência moderna se baseia na separação entre mente e matéria, mas que tal separação é um obstáculo à compreensão da mente, que deve ser compreendida como um fenômeno biológico natural. O autor enfatiza que a subjetividade não é algo que se possa eliminar, e que a consciência é um aspecto irredutível da realidade. Ele ainda defende a necessidade de repensar as categorias tradicionais de corpo-mente, matéria-consciência, para compreender a consciência como um fenômeno biológico natural. O artigo termina com uma análise do conceito de objetividade e subjetividade, sugerindo que a distinção entre epistemológico e ontológico é fundamental para a compreensão da consciência.  A perspectiva de Searle busca superar as limitações do dualismo e materialismo, defendendo uma visão mais integrada e complexa da realidade.

20 de abril de 2020: Investigação da mente: evolução e intencionalidade

O documento analisa o trabalho de Daniel Dennett, um filósofo que busca entender a mente humana do ponto de vista da evolução. O autor destaca que Dennett defende o funcionalismo, uma teoria que considera os estados mentais como propriedades físicas, e usa o exemplo do vírus como um agente que, mesmo sem consciência, realiza ações intencionais para sobreviver. O autor argumenta que a postura intencional de Dennett, que considera a mente como um comportamento que governa as ações, pode ajudar a entender a evolução da mente e as diferenças entre os humanos e outras espécies. O documento ainda discute a perspectiva evolutiva de Dennett, que acredita que a mente humana é resultado da evolução e que a linguagem é um fator importante para a nossa capacidade de conhecimento.

27 de abril de 2020: Introdução à intencionalidade em Searle[i]

Este documento discute as teorias de John Searle sobre a consciência. Searle rejeita tanto o dualismo quanto o monismo, argumentando que a consciência é um fenômeno biológico natural que deve ser estudado de forma objetiva. Ele critica a abordagem de Daniel Dennett à consciência, argumentando que Dennett ignora o aspecto subjetivo da experiência. Searle afirma que a intencionalidade é um produto biológico evolutivo que permite que os humanos se conectem com o mundo através de estados intencionais. Ele argumenta que o background de crenças, desejos e outros estados psicológicos é essencial para entender a intencionalidade. O documento conclui que a neurociência pode ajudar a elucidar os aspectos empíricos da consciência, mas que não há contradição entre uma abordagem de senso comum e a ciência.

2 de maio de 2020: Psicologia Popular

O documento discute a existência de crenças e desejos, desafiando a visão materialista que nega sua existência. Searle argumenta que crenças e desejos são reais e devem ser estudados dentro do contexto da psicologia popular.  Ele refuta a redução de crenças e desejos a fenômenos neurobiológicos, alegando que a existência dos fenômenos é anterior à teoria. Searle argumenta que a existência de crenças e desejos pode ser comprovada pela experiência humana e que a psicologia popular é fundamental para entender o mundo e a nós mesmos.

9 de maio de 2020: Mente gorda ou mente magra?

O texto discute a diferença entre uma "mente gorda" (substancialista) e uma "mente magra" (funcionalista) na filosofia da mente. A mente gorda é vista como algo que existe independentemente do corpo, enquanto a mente magra é uma relação entre o corpo e o mundo. O autor argumenta que a mente gorda é mais difícil de estudar cientificamente, pois sua natureza subjetiva e qualitativa é difícil de ser observada objetivamente. Por outro lado, a mente magra, que se manifesta através do comportamento, é mais fácil de estudar, mas pode ter dificuldades em explicar a consciência, que não se manifesta necessariamente no comportamento. O texto discute o experimento de Fodor, que mostra que a consciência não é uma questão de meros processos de computação, e termina com a questão da inteligência artificial: uma máquina pode ter consciência? A resposta, de acordo com o autor, depende da natureza da mente: se a mente é gorda, uma máquina não pode ter consciência, mas se a mente é magra, uma máquina pode sim ter consciência.

9 de fevereiro de 2023: Descritivismo

O texto aborda o descritivismo clássico, a teoria dos agregados e como o descritivismo resolve três dos enigmas deixados sem resposta pelo referencialismo. O descritivismo clássico é uma família de teorias da referência que explicam o significado e/ou a referência dos nomes em termos do significado e/ou referência das descrições definidas daqueles nomes. Primeiro, o descritivismo explica o significado dos nomes em termos do significado das descrições e, depois, explica a referência dos nomes em termos do significado das descrições. A teoria descritivista dos nomes próprios, por sua vez, parte do pressuposto de que o significado de um nome próprio é dado pelo significado da descrição definida que o falante associa a ele. A teoria dos agregados, por sua vez, defende que o significado de um nome próprio não é dado por uma única descrição, mas por um agregado de descrições que permitem determinar o objeto a que o nome se refere. A teoria dos agregados, portanto, oferece uma solução para o problema do descritivismo clássico, que não consegue explicar como diferentes descrições podem ser associadas a um mesmo nome. O texto apresenta, ainda, uma solução para o problema dos nomes vazios, que são nomes que não se referem a nenhum objeto. De acordo com o descritivismo, mesmo que um nome não se refira a nenhum objeto, ele ainda tem significado, pois o significado do nome é dado pelo significado da descrição definida que lhe é associada. Finalmente, o texto discute o enigma de Frege e o princípio da substitutividade. O enigma de Frege é o problema de como explicar o significado de nomes próprios que são correferenciais, mas têm sentidos diferentes. O princípio da substitutividade, por sua vez, afirma que a substituição de um nome próprio por outro nome próprio correferencial não altera o valor de verdade da proposição. O descritivismo resolve o enigma de Frege ao argumentar que o sentido de um nome próprio é dado pelo significado da descrição definida que lhe é associada, e não pelo objeto a que o nome se refere. Em relação ao princípio da substitutividade, o descritivismo argumenta que o princípio falha em contextos que são referencialmente opacos, como os contextos de crença.

5 de setembro de 2023: Por este meio

O texto discute a teoria dos atos de fala de Austin, que argumenta que as frases declarativas não são as únicas que podem realizar ações. As frases performativas, como "prometo" ou "desculpe", são atos sociais que seguem regras constitutivas que devem ser obedecidas para serem válidas. 

A teoria de Austin distingue entre força ilocutória (o ato que é realizado ao dizer algo) e conteúdo locutório (o que é dito).  Ele argumenta que toda elocução possui um aspecto performativo e um aspecto descritivo, mas que as performativas não são verdadeiras ou falsas, pois não descrevem um fato. 

O autor também discute a crítica de Cohen, que argumenta que o conteúdo performativo das frases tem significado e não pode ser simplesmente descartado. 

Lycan defende uma visão liberal dos atos de fala, argumentando que eles podem ser verdadeiros ou falsos, pois o conteúdo locutório é parte do significado da elocução. Ele critica a teoria de Austin por não lidar com essa complexidade, e sugere que uma teoria completa dos atos de fala deve levar em conta o significado locutório.

14 de julho de 2024: Máquinas que pensam

O texto discute se máquinas podem realmente pensar, explorando o conceito de IA forte e a tese de que a atividade mental é simplesmente a execução de um algoritmo. O autor compara o funcionamento de um termostato com o de um computador, argumentando que, embora ambos processem informações, apenas os seres vivos possuem consciência. O argumento central é que a consciência não emerge de algoritmos, mas sim de uma "coisa" material, como um cérebro. O texto apresenta argumentos contra e a favor da IA forte, culminando na conclusão de que a consciência humana é um fenômeno complexo que transcende o processamento de informações, o que a diferencia de qualquer máquina, por mais sofisticada que seja.

20 de agosto de 2024: A terceira margem do rio

O texto analisa o conceito de "mente" e o papel da linguagem científica e comum em sua investigação, através da obra de Dennett e de outras correntes filosóficas, como o materialismo e o dualismo. Discute a relação entre a mente e o corpo, o problema da consciência, e a possibilidade de se estudar a mente através da neurociência. O autor argumenta que a linguagem pode ser uma ferramenta para desvendar o mistério da mente, mas que também pode aprisioná-la em um sistema fechado e rígido, impossibilitando a interpretação.  A análise destaca ainda a relevância da investigação sobre o virtual para a compreensão da mente e explora as implicações para a inteligência artificial.  O texto convida a uma reflexão crítica sobre as diferentes abordagens da mente e a buscar uma perspectiva mais abrangente que leve em conta os aspectos tanto científicos quanto filosóficos.

9 de setembro de 2024: Prevendo previsões

O texto discute a teoria da mente de Daniel Dennett, que argumenta que a mente é uma construção teórica útil, mas não uma entidade real. Dennett critica a visão platônica da mente, que acredita em ideias inatas e não observáveis, e defende que a mente é uma interpretação do que acontece no cérebro. Ele também argumenta que o teste de Turing é um critério operacional, que foca no funcionamento da mente e não em sua natureza. Dennett defende que a mente é um sistema intencional que é usado para descrever o comportamento de um indivíduo, e que a inteligência é a capacidade de prever o comportamento de outros seres. Ele destaca que a psicologia popular é uma ferramenta útil para prever o comportamento de outras pessoas, mas que não há evidências de que a mente seja uma entidade real. 

O autor também comenta a teoria dos neurônios espelhos e sua relevância para a teoria da mente. Finalmente, ele argumenta que a inteligência artificial social, um campo que estuda a interação entre robôs e humanos, precisa desenvolver uma teoria da mente que consiga explicar o comportamento dos robôs.

17 de setembro de 2024: Uma teoria da mente

O texto trata da teoria da mente e da aplicação de teorias em geral, usando como exemplo a divisão de Dennett em três níveis de explicação dos processos que descrevem organismos ou aparatos complexos: o físico, o do design ou planejamento e o intencional. O autor argumenta que a teoria intencional, apesar de não ter base ontológica, é uma estratégia eficiente para prever comportamentos, pois ela não precisa levar em consideração as bases físicas ou de projeto de um sistema. O autor também discute a teoria funcionalista da mente, defendendo que a mente não é redutível ao cérebro, apesar de estar nele. Ele usa a analogia de um rádio para ilustrar essa ideia, mostrando que dois rádios diferentes podem tocar a mesma música e dois rádios idênticos podem tocar músicas diferentes, o que sugere que a mente é um sistema funcional que pode ser realizado por diferentes substratos físicos. O autor também discute a crítica behaviorista à teoria intencional, argumentando que ela não se aplica a todos os sistemas, e que a mente pode estar corporificada, o que significa que ela está intimamente ligada ao corpo. 

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* resumos feitos pelo Gemini.