terça-feira, 17 de março de 2026

O entendimento contra o dado

Quando entender passa por assumir compromissos

1. Sobre Sellars[i]. Wilfrid Sellars foi um dos mais importantes filósofos do movimento da filosofia analítica do século XX, integrando e reformulando tradições como o realismo crítico[ii], a epistemologia naturalista e a crítica ao fundacionalismo dentro desse quadro analítico[iii], em oposição ao “mito do dado” e à ideia de conhecimento imediato[iv]. Sellars tornou-se proeminente por sua crítica sistemática à noção de dados epistemológicos não inferenciais[v], pela distinção entre a imagem manifesta e a imagem científica do mundo[vi] e por articular uma forma inovadora de semântica funcional/inferencialista[vii], influenciando debates em epistemologia, filosofia da mente e da linguagem no pós-guerra.

Breves notas[viii]. Cabe ressaltar que há vários tipos de dados: dado epistêmico, categorial, etc. Há várias camadas que um iniciante em Sellars ainda não consegue explorar. Um ponto importante sobre o espaço das razões e o Inferencialismo, no caso uma teoria coerentista, é não ficar preso nos pressupostos conceituais, como sair de lá? Por fim, curiosidade: haveria sellarsianos de esquerda e de direita, conforme as imagens do mundo, normativa e social ou científica e copiando os hegelianos de direita e de esquerda.

2. Sellars no blog[ix]. Podemos agregar sobre sua crítica ao empirismo e o "Mito do Dado" que as experiências sensoriais, por si só, não constituem conhecimento, pois percepções podem ocorrer causalmente, mas só contam como conhecimento quando inseridas em uma prática conceitual e inferencial. Ele desenvolveu uma teoria inferencial do significado, na qual o ato de inferir é tratado como um ato social regido por regras de prática comunitária, opondo-se à ideia de que frases são apenas entidades abstratas e inertes.

3. Sellars na perspectiva da nossa série[x]. Ele se opõe ao empirismo ao criticar projetos fundacionalistas como o do Aufbau de Carnap, que buscava reconstruir o conhecimento a partir de experiências elementares. Embora compartilhe com Quine o holismo e a crítica aos dogmas tradicionais, Sellars se distingue pelo seu nominalismo psicológico, que versa que já há papel da linguagem mesmo nos níveis primeiros do conhecimento.

4. Nossa máxima sobre o ponto de vista de Sellars[xi]. A nossa máxima “Eu falo e você me ouve, mas entende?” cai muito bem dentro do projeto filosófico de Wilfrid Sellars, sobretudo na crítica ao Mito do Dado e na sua concepção inferencialista do significado e do entendimento. Vejamos.

5. Ouvir não seria entender: contra o “dado” linguístico. Podemos entender que, para Sellars, não existiria algo como um entendimento imediato, dado simplesmente pela audição de sons ou pela recepção passiva de estímulos linguísticos. Ouvir sons não seria compreender um enunciado. A nossa máxima poderia ser reformulada assim: “O fato de você receber um estímulo linguístico não implica que você esteja já no espaço do entendimento”.

Isso seria uma extensão direta da crítica ao Mito do Dado, já que não haveria conteúdos epistemicamente ou semanticamente autoritativos que se imporiam por si mesmos; nem percepção, nem linguagem “entrariam” prontas na mente.

6. Entender seria estar no “espaço das razões”. O ponto central de Sellars parece ser que entender uma fala é estar apto a justificar, inferir, corrigir e responder normativamente a ela. Assim, quando eu digo “eu falo e você me ouve”, você pode estar apenas no espaço das causas, onde sons causam estados auditivos, mas não necessariamente no espaço das razões, onde fazemos perguntas como: “O que segue disso?”, “O que conta a favor?” e “O que seria um erro aqui?”. Logo, o “mas entende?” marca exatamente a passagem problemática entre esses dois espaços.

7. O significado não seria algo que se recebe, mas algo que se exerce[xii]. Para Sellars, compreender uma expressão não seria ter uma imagem mental, nem seria associar um som a um objeto, mas seria dominar um papel funcional-inferencial dentro de uma prática linguística. Entender “p” seria, em parte, saber que outras proposições seguem de “p”; que evidências contariam a favor ou contra “p”; em que circunstâncias “p” deveria ou não ser afirmado. Assim, nossa máxima expressaria uma tese sellarsiana: A comunicação falha não por déficit acústico, mas por déficit de inserção inferencial.

8. Linguagem como prática normativa, não como transmissão. Ao contrário de um modelo “telegráfico” da linguagem (mensagem → receptor → significado), Sellars sustentaria que quando eu falo eu assumo compromissos; quando você ouve e entende, você reconhece e pode avaliar esses compromissos[xiii]. Portanto, quando eu pergunto “mas entende?”, a questão real é saber se você reconhece quais compromissos eu assumi ao dizer isso e quais compromissos isso impõe a você. Se não, houve som, mas não houve entendimento.

9. Uma formulação sellarsiana da nossa máxima. Em linguagem sellarsiana, ela poderia ser reescrita assim: “Eu produzo um evento sonoro linguisticamente articulado; você o recebe causalmente - mas você ingressou no espaço normativo das razões que lhe dá significado?” Ou, mais curto: “A audição é causal; o entendimento é inferencial.”

10. Conexão com nossa sequência até agora. No arco que vimos traçando, Sellars ocupa um lugar decisivo, já que, contra Carnap, as regras não são meramente formais e contra Quine, o normativo não se reduz ao comportamento. A máxima é, nesse sentido, uma frase anti-mitológica: ela recusa a ideia de que compreender seja algo dado, imediato ou automático. Em suma, para Sellars, nossa máxima exprime uma verdade central da filosofia da linguagem:  entre falar e entender há uma diferença normativa fundamental, não apenas um canal de transmissão de informação.



[ii] Para o realista, o mundo existe independentemente da nossa mente, porém nosso conhecimento sobre ele é mediado. Podemos consultar os idealistas: https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/2024/01/breves-ideias-sobre-locke-berkeley.html.

[iii] A epistemologia naturalista é uma reação ao fundacionalismo clássico e ganha força com Quine, que propôs naturalizar a epistemologia, transformando-a em parte da psicologia empírica. Assim, o estudo do conhecimento se dá em continuidade com as ciências empíricas, especialmente a psicologia e as ciências cognitivas e não deve ser feito a partir de fundamentos puramente a priori ou “transcendentais”. Então, ao invés de perguntamos “Quais são as condições filosóficas últimas que justificam o conhecimento?”, a epistemologia naturalista pergunta “Como, de fato, os seres humanos formam crenças e quais mecanismos tornam essas crenças confiáveis?”

[iv] Não há “dados puros” dados à consciência. Ou, o “Mito do Dado” é a crença de que existiriam conteúdos imediatamente dados à mente que já teriam autoridade epistemológica por si mesmos, como “Vejo vermelho, logo tenho conhecimento direto de vermelho”. Na empiria clássica, haveria um nível básico de conhecimento não inferencial que serviria de fundamento para todo o resto. Há sensação no espaço das causas, mas para que algo conte como conhecimento, é necessário que esteja inserido no espaço das razões.

[v] Não há um estágio epistemicamente autônomo de “crença não inferencial” que fundamente o resto. Mesmo crenças perceptivas “básicas” (como “isso é vermelho”) só contam como crenças porque já pertencem a uma prática linguística normativa. Elas podem ser não inferidas, mas não são pré-conceituais nem independentes do domínio inferencial

[vi] A imagem manifesta do mundo, isto é, tal como aparece na experiência comum pode ser integrada (ou reinterpretada) à luz da imagem científica do mundo, descrito pelas ciências.

[vii] Em vez de dizer que as palavras são etiquetas coladas nas coisas, Sellars diz que a linguagem é um sistema de regras. Ter um conceito ou saber um significado é como saber "conduzir-se" dentro do espaço das razões: é saber quais conclusões você pode tirar de uma frase e quais frases justificam o que você está dizendo. Portanto, o significado é o papel funcional que uma expressão ocupa dentro de uma vasta rede de inferências e usos sociais

[viii] EP. 70 - Hegel, Sellars, Filosofia Analítica e História da Filosofia: https://www.youtube.com/watch?v=mgY0X8ywoOo, Neste episódio, conversamos com J.-P. Caron (UFRJ) sobre a relação de Hegel com a filosofia analítica, sua influência sobre Wilfrid Sellars e a chamada Escola de Pittsburgh e uma forma global de se enxergar a filosofia. Caron trata também dos pressupostos metodológicos dominantes, aspectos descritivos e normativos do fazer filosófico e seus desdobramentos políticos. Por fim, ele discute a relação entre passado e presente: como utilizar frutiferamente o pensamento de grandes filósofos de outras épocas para compreendermos aspectos contemporâneos sem distorcer aquilo que falaram.

[x] Idem.

[xi] Conforme temos dito, para a série EFEVMO-ME temos usado o ChatGPT para gerar o conteúdo de resposta do filósofo para a nossa máxima e fazemos uma revisão. São dois objetivos: o primeiro é escrutinar a máxima do ponto de vista do filósofo e o segundo é fazer uma aproximação conceitual do filósofo, de maneira geral. Mostrando postagens com marcador efevmo-me: https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/search/label/efevmo-me. No Canal: https://youtube.com/playlist?list=PLnDky5U6KdTn7T-fRc3YWlosgMpPVzH9k&si=I2HECee5weE_WO13 - FEVMO-ME, por Luís Quissak, Playlist, Público, 6 vídeos, 44 visualizações “Eu falo e você me ouve, mas entende?”.

[xii] Aqui é pura semântica e depois podemos explorar dot-quotation.

[xiii] Aqui pode ser que já estejamos transicionando para Robert Brandom: https://www.youtube.com/@BobBrandomPitt.

domingo, 15 de março de 2026

EFEVMO-ME em 11 de março de 2026

Aborda algumas formas e contextos da comunicação e aponta para certa complexidade envolvida no ato de falar, ouvir e entender no cotidiano[i]

Eu falo de várias maneiras e sobre diversos protocolos. Eu falo no trabalho por e-mail visando documentar e importa ser formal e claro. Eu falo por meio de uma apresentação de proposta para um cliente e representando um fornecedor. Ali o sentido importa, tem que fazer sentido e é muito difícil comunicar significados.

Ocorre que, se há ocasião de se apresentar pessoalmente, em um encontro presencial, a semântica vai a reboque da pragmática - o contexto importa. Mas é importante, também, que na reunião os envolvidos compartilhem interesses semelhantes. Cliente parceiro e fornecedor, quando sintonizados e engajados em suas práticas, podem assumir compromissos adequados. 

Eu ouço de várias maneiras. Há um amigo no WhatsApp que pode “somente” me enviar uma figura: ali está tudo, o pacote formal-significativo-contextual. E quando eu comunico, respondendo com um texto? Eu deveria enviar um áudio, “carregado”? Há grande diferença quando eu recebo um texto e quando eu recebo um áudio. Por que o áudio? Preguiça ou pedido de envolvimento?

Há estruturas sensíveis e racionais que vão influenciar minha decisão e empenho. Eu ouço uma música e dou a ela o meu sentido. Não conheço o autor, mas eu remoto dentro de mim o seu sentimento, à minha maneira. Ele comunica um sentimento e isso não quer dizer que ele comunica “o” sentimento dele e nem que eu seja capaz de elaborar o que sinto.

Falar, ouvir, entender. Coisas do dia a dia.



[i] Aplicação de https://bit.ly/efevmo-me-blog e https://bit.ly/efevmo-me-yt. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Carnap antes da semântica

Apresenta a evolução do fenomenalismo para a sintaxe lógica

Contexto histórico. De acordo com Emmendorfer[i], Ernest Mach, através de uma espécie de sensorialismo radical, influenciou a primeira fase de Carnap, a fenomenalista, expressa no Aufbau[ii] (1928). A proposta era que os objetos mais simples seriam qualidades sensíveis (“este vermelho” - Erlebnisse), constituindo uma base auto psicológica do sistema construcional. Carnap (e Neurath) também foram influenciados pelo convencionalismo de Poincaré e o holismo de Duhem. Os empiristas lógicos, reunidos no Círculo de Viena, davam muita importância à investigação lógica da linguagem, como sabemos. 

Emmendorfer pontua que, para os empiristas, o significado estaria ligado à experiência e só poderia ser confirmado ou infirmado pela verificação. É uma tese reducionista, segundo ela, que se vincula à tese extensionalista do Aufbau. No manifesto “A concepção científica do mundo”, distinguiam-se dois tipos de sentenças: as analíticas, cujas verdades são determinadas pelas regras da linguagem, e as sintéticas a posteriori, que se apoiam nos dados empíricos coletados por observação. Caberia à filosofia esclarecer o sentido das sentenças. 

O reducionismo de Carnap, ela continua, consistia em reduzir enunciados empíricos a mais elementares, os dados vivenciados e categorizados como proposições protocolares. Entretanto, de acordo com a visão de Neurath, proposições protocolares serviriam para descrever o mundo, não se confundindo com as próprias vivências. Conforme citação: “E a elaboração das proposições protocolares são convenções nas quais são tomados os dados empíricos e a partir disso é feita a redução” (p. 61). Visava-se uma linguagem ideal construída convencionalmente pela escolha ou descarte das proposições protocolares, elementares para formar a base das teorias[iii]

No artigo “A superação da metafísica por meio da análise lógica”, como observa com Emmendorfer, Carnap se utiliza de critérios para atribuir significado aos conceitos. Isso é feito através de proposições simples como “x é um mamífero”, na qual “x” pode ser substituído por “este cachorro” e validando contra as características da classe dos mamíferos. Pela análise, então, se chega na significatividade da palavra dada, decompondo e reduzindo proposições.

A fase fenomenalista de Carnap. Conforme acima, Emmendorfer destaca classificação de Stein que associa essa fase ao Aufbau. Na obra, há uma genealogia de conceitos, a partir dos quatro níveis tratados no texto da nota [ii]. Segundo Emmendorfer, o reducionismo tem um viés lógico, de um constituinte suficiente e outro dispensável e um viés epistemológico, de um núcleo e uma parte secundária.

Dado o exemplo que ela utiliza “Se eu franzir a testa, então estou pensando em algo”, pelo lado lógico, há um constituinte suficiente que é “pensar em algo” - por experiências anteriores sei que o constituinte secundário (franzir a testa) é um conhecimento por familiaridade, aspecto físico que me leva ao mental, o núcleo (pensar em algo). Por outro lado, o aspecto físico de “franzir a testa” é reduzido epistemologicamente ao “pensar em algo”, isto é, o conhecimento de “franzir a testa” está contido em “pensar em algo”, em termos de redução lógica.[iv] 

Carnap, buscava, nessa fase, uma reconstrução do mundo mediante uma base auto psicológica[v], mas depois passa a se preocupar com a forma da linguagem, a sintaxe, se utilizando de uma metalinguagem que analisa linguisticamente uma linguagem objeto. 

A fase sintática de Carnap. Já em 1934, influenciado pela metamatemática de Hilbert e Tarski, Carnap constrói uma teoria geral das formas linguísticas, por meio de uma sintaxe lógica. Há uma metalinguagem que possibilita transformar proposições de uma linguagem objeto através de regras da lógica simbólica. Aí já não se utilizam as vivências como base do significado das proposições, projeto do Aufbau, mas a linguagem simbólica, ainda que com a mesma ideia do esclarecimento das teorias científicas.

Na leitura de Emmendorfer, é uma passagem do reducionismo fenomenalista para uma análise lógico-sintática e independente da noção de significado com destaque para o princípio da tolerância, sobre o qual regras são formadas pela conveniência de cada teoria. Aí ainda há linguagem extensional, mas também se abre espaço para uma linguagem lógica. Nesse momento, então, o projeto de esclarecimento de controvérsias filosóficas é menos factual, lidando com os objetos e mais formal, por meio de signos.

Nessa época, a semântica ainda não é tematizada como teoria do significado; a análise permanece formal e sintática. A virada semântica só ocorrerá quando o problema da verdade e da referência entrar no centro da reflexão.



[i] Na página 54 de O significado em Frege e Carnap. Ela atribui as fases de Carnap a uma definição de Sofia Stein em sua tese de doutorado. Usaremos o capítulo 2 aqui.

[ii] Exploramos aqui: https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/2021/02/aufbau.html. O artigo discute a obra Aufbau (A Estrutura Lógica do Mundo), de Rudolf Carnap, defendendo que o projeto deve ser compreendido como uma reconstrução racional de caráter lógico-linguístico, e não apenas como um sistema epistemológico ou empirismo ingênuo. O autor explica que Carnap propõe um sistema construcional onde conceitos de diferentes domínios (auto psicológico, físico, hetero-psicológico e cultural) são reduzidos a uma base comum por meio da lógica, utilizando um "solipsismo metodológico" que busca objetividade através de propriedades estruturais da experiência. Ao final, o texto contrapõe as críticas de Quine, argumentando que o fundacionismo de Carnap não é dogmático ou infalível, mas sim uma escolha metodológica e convencional baseada na clareza das regras lógicas e na tolerância linguística. (resumo Gemini em 01/03/2026). 

[iii] Não passaremos por Wittgenstein e o Tractatus pois este tema já foi explorado nesse espaço em outras oportunidades. 

[iv] Pensar em algo é derivado de franzir a testa já que franzir a testa aponta para pensar em algo, conforme Emmendorfer, embora saibamos que “franzir a testa” também possa ser um truque. 

[v] Os objetos auto psicológicos são os elementos mais básicos do sistema construcional, ponto de partida epistêmico e estrutural. Eles são os conteúdos imediatos da experiência própria do sujeito. São dados pré-objetivos, por exemplo, uma mancha visual marrom que vejo agora e não o objeto físico cadeira. Eles têm primazia epistêmica absoluta, para Carnap, porque são dados diretos, não dependem de hipóteses e permitem construção de outros objetos. Importa salientar que não são vistos por Carnap como ontologicamente mais reais, mas de um ponto de vista lógico. Então, a cadeira é uma construção lógica sobre padrões de experiência. Eles são autopsicológicos porque são objetos definidos exclusivamente em relação ao fluxo de experiência do próprio sujeito e daí para a linguagem pública, o mundo físico e a intersubjetividade. Conclui-se que, no Aufbau, o mundo físico não é o fundamento e a ordem não é mundo → experiência, mas experiência → mundo. (burilando ChatGPT...) 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Carnap, 1945

Passa pela lógica indutiva proposta por Carnap[i]

Contextualização. Com base exclusivamente nos seguintes artigos Rudolf Carnap (Stanford Encyclopedia of Philosophy) e Rudolf Carnap > C. Inductive Logic (Stanford Encyclopedia of Philosophy), o movimento que Rudolf Carnap realiza em 1945 visa a fundamentação e o desenvolvimento sistemático de uma nova lógica indutiva, centrada na distinção entre dois conceitos de probabilidade[ii].

Em 1945, Carnap publica o artigo "The Two Concepts of Probability", onde propõe que a controvérsia histórica sobre o tema resultava da falha em distinguir dois "explicanda" (conceitos a serem explicados) diferentes sob o mesmo nome. Há probabilidade$_1$, uma probabilidade epistêmica ou lógica que se refere ao grau de confirmação de uma hipótese com base em evidências. Este é um conceito analítico e relativo a um "framework" linguístico[iii]. Há, por outro lado, probabilidade$_2$, uma probabilidade estatística que se refere à frequência relativa de um evento em uma série de longo prazo, sendo um conceito puramente empírico.

Sobre evidências. A probabilidade estatística é empírica, mas a probabilidade lógica, ao tratar de evidências, também não se refere ao “mundo”? Embora as sentenças de evidência descrevam eventos e resultados de observações do mundo, a questão da confirmação exige apenas que sejamos capazes de entender o seu significado e as relações lógicas que elas possuem com uma hipótese $h$. Para decidir o grau de confirmação de uma hipótese com base em uma evidência, não é necessário saber se a evidência é factual ou materialmente verdadeira no momento da análise. A análise de confirmação é estritamente lógica e semântica, focada em como o conteúdo da sentença de evidência apoia o conteúdo da hipótese.

Motivações. A partir desse ano, Carnap também publica "On Inductive Logic", resumindo seu novo sistema que visava fornecer uma explicação quantitativa exata para a metodologia da ciência. Por que ele fez esse movimento? De acordo com os artigos, as motivações de Carnap foram as que se seguem.

Necessidade de Explicação (Explication). Carnap via a filosofia como uma "engenharia conceitual" destinada a substituir ferramentas linguísticas primitivas e vagas por conceitos novos e precisos. Ele acreditava que a probabilidade lógica deveria fornecer uma explicação exata para o conceito de confirmação, que é básico na ciência.

Superação da Crise da Verificação. Carnap reconhecia, desde seus primeiros escritos, que as leis científicas universais não podem ser estritamente verificadas, mas apenas confirmadas ou desconfirmadas passo a passo. A lógica indutiva serviria para medir esse crescimento gradual da confiança em uma lei.

Conciliação de Escolas de Pensamento. Ele desejava encerrar a disputa "fútil" entre a concepção lógica de probabilidade (Keynes, Jeffreys) e a concepção frequentista (von Mises, Reichenbach), demonstrando que ambas as teorias tratam de conceitos importantes que se complementam em vez de se excluírem.

Criação de Frameworks Abrangentes. Carnap queria expandir a ideia de "frameworks" linguísticos para que estes incluíssem não apenas regras dedutivas, mas também regras de lógica indutiva que fossem constitutivas do sistema e permitissem a confirmação de sentenças sintéticas (os juízos sintéticos kantianos).

Reconsideração Pessoal. Em 1941, ele reconsiderou o problema da probabilidade após uma leitura mais cuidadosa de Keynes, abandonando a visão de que a confirmação seria apenas comparativa ("mais fortemente confirmada", "menos confirmada"...) e passando a buscar um sistema métrico quantitativo, menos vago, assim como a ciência introduziu o conceito métrico de temperatura para substituir o conceito comparativo de "mais quente".

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Os Dois Conceitos de Probabilidade. O artigo "The Two Concepts of Probability", escrito por Rudolf Carnap em 1945, é dividido em seis capítulos (ou seções) principais. Abaixo está um resumo de cada um deles.

I. O Problema da Probabilidade. Carnap define o objetivo como uma explicação (explication), que consiste em substituir um conceito vago da linguagem comum (o explicandum) por um conceito novo e mais exato (o explicatum). O problema central é encontrar uma explicação adequada para o termo "probabilidade".

II. Os Conceitos Lógicos de Confirmação. O autor explora o lado lógico da confirmação de hipóteses $h$ com base em evidências $e$. Ele distingue três tipos de conceitos de confirmação: positivo ($h$ é confirmado por $e$), comparativo ($h$ é mais confirmado por $e$ do que $h’$ por $e’$) e métrico (o grau numérico de confirmação).

III. Os Dois Conceitos de Probabilidade. Este é o ponto central da obra, onde Carnap argumenta que a maioria das disputas históricas sobre o tema ocorre porque os autores estão tratando de dois conceitos diferentes sob o mesmo nome. Ele os define como 1.) Probabilidade$_1$: O grau de confirmação (conceito lógico) e 2.)  Probabilidade$_2$: A frequência relativa a longo prazo (conceito estatístico/empírico).

IV. A Natureza Lógica dos Dois Conceitos de Probabilidade. Carnap detalha as diferenças entre ambos. A Probabilidade$_1$ é um conceito semântico e analítico, cujas sentenças são verdadeiras ou falsas apenas pela análise lógica, sem depender de fatos. Já a Probabilidade$_2$ é um conceito factual e empírico, que diz algo sobre o mundo físico e deve ser testado por observações estatísticas.

V. O Empirismo e o Conceito Lógico de Probabilidade. O autor defende que o uso da Probabilidade$_1$ não viola os princípios do empirismo. Ele critica a visão de Reichenbach, que tentava identificar os dois conceitos como um só, reforçando que, embora relacionados, eles permanecem fundamentalmente distintos: um é uma estimativa lógica e o outro é uma frequência física.

VI. Probabilidade e Verdade. Carnap discute a confusão comum entre "verdade" e "confirmado". Ele argumenta que, embora nunca possamos verificar definitivamente uma lei física (alcançar a verdade absoluta), podemos determinar seu grau de confirmação. Assim, a lógica indutiva não substitui a lógica clássica de dois valores (verdadeiro/falso), mas adiciona uma escala contínua de confirmação para as sentenças.

Lógica dedutiva versus lógica indutiva. A diferença entre a lógica indutiva e a dedutiva, segundo os textos de 2025[iv], reside na natureza da relação entre as premissas e a conclusão, bem como no grau de certeza que cada uma oferece. A lógica dedutiva é focada na validade lógica e na demonstração de conclusões que são consequências necessárias de suas premissas. Por exemplo, no silogismo científico, se as premissas são necessariamente verdadeiras, a conclusão também deve sê-lo, não havendo possibilidade de erro se a forma lógica for respeitada. Por basear-se em uma estrutura formal fechada, as provas dedutivas são consideradas estáticas.

Por outro lado, a lógica indutiva é descrita como um tipo de raciocínio não dedutivo que não se fundamenta na validade absoluta, mas em graus de probabilidade e na plausibilidade, onde o apoio das premissas torna a conclusão meramente provável. Ao contrário da dedução, os raciocínios indutivos são dinâmicos, pois estão sujeitos a revisões constantes e à busca por novos dados para corrigir crenças anteriores.

Apesar das diferenças[v], ambas as lógicas compartilham uma natureza lógica e semântica. Resolver problemas em qualquer uma delas não exige conhecimento de fatos empíricos, mas apenas a análise do significado das sentenças envolvidas. Em resumo, enquanto a lógica clássica lida com uma relação de "tudo ou nada" (ou a conclusão segue com necessidade ou não), a lógica indutiva quantifica o quanto uma evidência apoia uma hipótese.

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Sobre a Lógica Indutiva. O artigo intitulado "On Inductive Logic", escrito por Rudolf Carnap em 1945, apresenta um resumo informal do sistema de lógica indutiva desenvolvido pelo autor. O objetivo central é fornecer uma explicação quantitativa exata para o conceito de "grau de confirmação", permitindo que a ciência avalie objetivamente o quanto uma evidência apoia uma hipótese.

O artigo é dividido em 16 seções (parágrafos ou capítulos curtos), numeradas de §1 a §16. Abaixo está o resumo de cada uma das seções.

§1. Lógica Indutiva. Carnap distingue entre Probabilidade$_1$ (conceito lógico de grau de confirmação) e Probabilidade$_2$ (conceito empírico de frequência relativa). A lógica indutiva é definida como a teoria do grau de confirmação, atuando como uma "implicação lógica parcial". Citando, logo na página 1:

In a certain sense we might regard deductive logic as the theory of L-implication (logical implication, entailment). And inductive logic may be construed as the theory of degree of confirmation, which is, so to speak, partial L-implication. "e L-implies h" says that h is implicitly given with e, in other words, that the whole logical content of h is contained in e. On the other hand, "c(h, e) = 3/4" says that h is not entirely given with e but that the assumption of h is supported to the degree 3/4 by the observational evidence expressed in e.

§2. Alguns Conceitos Semânticos. Apresenta as bases da lógica de predicados e introduz os conceitos de descrições de estado, que descrevem estados possíveis do universo e amplitude, as descrições de estado nas quais uma sentença é verdadeira.

§3. Funções-c Regulares. Define funções matemáticas ($m$e $c$) para atribuir valores numéricos ao grau de confirmação. Sendo que $m$ é métrica e $c$ grau de confirmação. Em resumo, $m$ é uma medida de volume lógico de uma sentença, enquanto $c$ é a medida da relação de suporte entre duas sentenças, calculada pela razão entre suas amplitudes

§4. O Conceito Comparativo de Confirmação. Introduz uma maneira de comparar se uma hipótese é "mais ou igualmente confirmada" que outra sem a necessidade imediata de valores numéricos.

§5. Funções-c Simétricas. Estabelece o princípio de que a lógica indutiva não deve discriminar entre indivíduos particulares, tratando todos de forma igual.

§6. O Grau de Confirmação $c$. Carnap seleciona uma função específica, chamada $c*$, como a base de seu sistema, fundamentada na atribuição de valores iguais para descrições de estrutura[vi].

§7. Linguagens Apenas com Predicados de Um Lugar. Explica que a teoria foca inicialmente em propriedades simples (como cores) para facilitar a análise matemática antes de expandir para relações complexas.

§8. Inferências Indutivas. Define que "inferência" na lógica indutiva significa determinar o valor exato do grau de confirmação de uma hipótese com base em evidências.

§9. A Inferência Direta. Trata da inferência de uma população inteira para uma amostra.

§10. A Inferência Preditiva. Trata da inferência de uma amostra observada para outra amostra não observada, sendo considerada por Carnap a inferência mais importante[vii].

§11. A Inferência por Analogia. Examina como a similaridade entre indivíduos aumenta a probabilidade de compartilharem outras propriedades.

§12. A Inferência Inversa. Trata da inferência de uma amostra para a população total[viii].

§13. A Inferência Universal. Trata da inferência de uma amostra para uma lei universal (ex: "todos os cisnes são brancos"). Carnap nota que, em um universo infinito, o grau de confirmação de uma lei universal tende a zero[ix].

§14. A Confirmação de Instância de uma Lei. Argumenta que cientistas não precisam que a lei seja universalmente verdadeira para sempre, mas sim que a próxima instância da lei seja confirmada (confirmação de instância qualificada), o que justifica a confiança nas leis científicas.

§15. A Variedade de Instâncias. Explica que a confirmação de uma lei é mais forte quando as evidências vêm de casos variados (ex: testar metais diferentes para a lei da expansão pelo calor) do que quando vêm de muitos casos idênticos.

§16. O Problema da Justificação da Indução. Discute a "reconstrução racional" do pensamento indutivo e defende que o sucesso de um sistema indutivo deve ser medido por sua eficácia em longo prazo em um mundo previsível.



[i] Resumo com o uso de IA e a partir dos arquivos: “The Two Concepts of Probability (1945)”: https://drive.google.com/file/d/1a4rUDve9Zsq--DWSruiMyRkRlxSf-NhC/view?usp=drive_link, “ON INDUCTIVE LOGIC (1945)”: https://drive.google.com/file/d/1NXXEexgt0DypUfdfVFE9A6ZjofEtnSgJ/view?usp=drive_link e “MEANING AND NECESSITY (1947)”: https://drive.google.com/file/d/1JM9xXXoyvmgG52DVIRTpCUI1bLmwakDj/view?usp=drive_link. Os arquivos foram encontrados na grande rede.

[ii] Resumido por IA.

[iii] Um framework serve para substituir linguagens naturais vagas e ambíguas por sistemas precisos que permitem ao cientista ou filósofo criar um "espaço conceitual" onde as afirmações podem ser verificadas ou confirmadas de forma objetiva, eliminando pseudo-problemas metafísicos que surgem da confusão linguística.

[iv] Aspectos de Lógica Elementar - parte 1 (https://bit.ly/4b2Mzdi), Aspectos de Lógica Elementar - parte 2  (https://bit.ly/40iQtbU), Lógica Aristotélica (https://bit.ly/4cDx38W), Introdução à lógica elementar (https://bit.ly/4c7QDdl).

[v] De acordo com as fontes sobre Carnap já citadas.

[vi] Our inductive logic is the theory of this particular function $c*$ as our concept of degree of confirmation.

[vii] The kinds of inference discussed in the subsequent sections may be construed as special cases of the predictive inference. p. 86.

[viii] This inference is of much greater importance for practical statistical work than the direct inference, because we usually have statistical information only for some samples and not for the whole population. p. 88.

[ix] The role of universal sentences in the inductive procedures of science has generally been overestimated. p. 88.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Quando o entendimento se sujeita a múltiplas interpretações

A medida do entendimento é a medida do uso público da linguagem

1. Sobre Quine. Willard Van Orman Quine foi um filósofo americano associado principalmente ao naturalismo dentro da tradição da filosofia analítica, e ficou especialmente conhecido por criticar o positivismo lógico ao rejeitar a distinção entre verdades analíticas e sintéticas, argumento central em seu ensaio Dois Dogmas do Empirismo.

Ele defendeu que não existe uma separação rígida entre filosofia e ciência, propondo que a filosofia deve ser conduzida com os mesmos padrões empíricos e metodológicos da ciência, o que o tornou uma figura proeminente por transformar profundamente debates sobre significado, epistemologia e a relação entre linguagem e conhecimento no século XX[i].

2. Quine no blog. No nosso blog, pudemos ver que Quine propôs o holismo epistemológico, a ideia de que nossas crenças formam uma "teia" que enfrenta o tribunal da experiência como um corpo coletivo, o que implica que qualquer enunciado é passível de revisão (falibilismo). Entre outras coisas, ele caracterizou a linguagem como uma ‘arte social’ construída intersubjetivamente, em sentido descritivo e naturalizado, não normativo. Suas teses incluem a indeterminação da tradução (ilustrada pelo experimento "Gavagai") e a máxima ontológica de que "ser é ser o valor de uma variável ligada"[ii], sugerindo que a referência é inescrutável e dependente do sistema conceitual adotado[iii].

3. Quine na perspectiva da nossa série. Quine se opõe radicalmente ao fundacionalismo de Descartes e ao apriorismo de Kant ao rejeitar a ideia de uma mente como espelho privado ou detentora de categorias fixas, propondo que o conhecimento é uma "teia de crenças" holística e uma arte social construída intersubjetivamente. Enquanto Carnap buscava uma distinção rígida entre verdades analíticas e sintéticas para purificar a ciência, Quine denuncia essa clivagem como um "dogma metafísico" sem critérios claros, argumentando que todo o conhecimento, inclusive a lógica e a matemática, é passível de revisão no "tribunal da experiência"[iv].

4. Nossa máxima sobre o ponto de vista de Quine. A partir de Quine, a nossa máxima - “Eu falo e você me ouve, mas entende?” - indicaria que não há um fato adicional, oculto, que determine se houve entendimento para além do uso público da linguagem. Vejamos.

5. Entender não é acessar um “significado interno”. Para Quine, não existe algo como um significado mental privado que garanta o entendimento. Ele rejeita a ideia de que, além do som emitido e da reação do ouvinte, exista um “conteúdo” compartilhado acessível por introspecção. Então, para a nossa pergunta “Eu falo e você me ouve, mas entende?”, Quine diria que não há um critério independente do comportamento e das disposições para agir. Se você reage de maneira adequada, isto é, se você responde, age, corrige, continua o jogo linguístico, então isso é tudo o que há para o entendimento. Não existe um “entender de verdade” escondido atrás disso.

6. A indeterminação da tradução. Nossa máxima vai ecoar essa tese famosa. Mesmo que eu fale perfeitamente, você ouça atentamente e responda coerentemente, ainda assim, diria Quine, há múltiplas teorias de significado igualmente compatíveis com todos os fatos observáveis. Isso quer dizer que não há um único fato que fixe o que exatamente foi entendido; há apenas redes de crenças, hábitos inferenciais ancorados em padrões de estímulo e assentimento. Portanto, nossa pergunta “mas entende?” não tem uma resposta metafísica profunda. Ela só pode ser respondida pragmaticamente[v].

7. “Entender” é estar suficientemente alinhado no jogo linguístico. Para Quine, entender alguém é compartilhar padrões de assentimento e rejeição diante de estímulos semelhantes, dentro de uma linguagem pública. Não é que temos a mesma imagem mental; nem que acessamos o mesmo “sentido” abstrato e nem que correspondemos a uma entidade semântica fixa. É algo mais fraco, mas funcional: coordenação, previsibilidade, continuidade da prática. Se o diálogo funciona, o entendimento está dado e não há mais nada a ser procurado.

8. A nossa máxima como um diagnóstico quineano. A nossa frase pode ser lida, quineanamente, assim: “Mesmo quando todas as condições externas do entendimento estão satisfeitas, ainda sentimos a tentação de perguntar por algo a mais”. Ele diria que essa tentação é um resíduo de uma má metafísica do significado, a ideia de que há um “sentido” intermediário entre fala e mundo[vi]. Então, ele tentaria dissolver a pergunta, não a responder.

Do ponto de vista naturalista quineano, podemos supor que sobre o entendimento, seria possível explicações como uma aquisição linguística, baseada na psicologia ou biologia, padrões de estímulo e assentimento e coordenação intersubjetiva observável. Porém não algo como “o entendimento ocorre porque o ouvinte acessou o significado correto”.

Supondo que provocássemos Quine com nossa máxima, ele provavelmente retrucaria dizendo que “Se eu respondo apropriadamente ao que você diz, o que mais você quer dizer com “entender”?” E, para ele, não há uma resposta que não recaia em mito semântico.

Podemos concluir que, depois de Quine, a pergunta “mas entende?” já não busca um fato oculto; ela se torna um gesto crítico que interroga se a descrição naturalista do funcionamento da linguagem é suficiente para capturar aquilo que, nas nossas práticas, chamamos de entendimento.



[ii] Chamamos B de escopo da ocorrência inicial do quantificador x em xB. Se uma ocorrência de uma variável não é livre em uma fórmula A, então ela é ligada; todas as ocorrências de x em B são ligadas na fórmula quantificada xB. De fato, frequentemente escreveremos que elas estão dentro do escopo do quantificador inicial. https://plato.stanford.edu/entries/quantification/. Também: https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/2023/11/o-empirismo-sem-dogmas-de-quine.html#comment-form.

[iv] Idem.

[v] Cabe referir conforme “Ancorando teorias do significado contra teorias do significado centradas na verdade: uma defesa de Dummett contra o Programa de Davidson” (https://www.academia.edu/125312640) que parece que correlações estímulo–resposta não parecem suficientes para explicar a competência linguística produtiva. É que aprender uma linguagem parece aprender também algo normativo e sistemático, isto é, aprender significado, mesmo que não como entidade mental.

[vi] Como o terceiro reino de Frege (quando falando de sinn, não bedeutung).