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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Carnap, 1945

Passa pela lógica indutiva proposta por Carnap[i]

Contextualização. Com base exclusivamente nos seguintes artigos Rudolf Carnap (Stanford Encyclopedia of Philosophy) e Rudolf Carnap > C. Inductive Logic (Stanford Encyclopedia of Philosophy), o movimento que Rudolf Carnap realiza em 1945 visa a fundamentação e o desenvolvimento sistemático de uma nova lógica indutiva, centrada na distinção entre dois conceitos de probabilidade[ii].

Em 1945, Carnap publica o artigo "The Two Concepts of Probability", onde propõe que a controvérsia histórica sobre o tema resultava da falha em distinguir dois "explicanda" (conceitos a serem explicados) diferentes sob o mesmo nome. Há probabilidade$_1$, uma probabilidade epistêmica ou lógica que se refere ao grau de confirmação de uma hipótese com base em evidências. Este é um conceito analítico e relativo a um "framework" linguístico[iii]. Há, por outro lado, probabilidade$_2$, uma probabilidade estatística que se refere à frequência relativa de um evento em uma série de longo prazo, sendo um conceito puramente empírico.

Sobre evidências. A probabilidade estatística é empírica, mas a probabilidade lógica, ao tratar de evidências, também não se refere ao “mundo”? Embora as sentenças de evidência descrevam eventos e resultados de observações do mundo, a questão da confirmação exige apenas que sejamos capazes de entender o seu significado e as relações lógicas que elas possuem com uma hipótese $h$. Para decidir o grau de confirmação de uma hipótese com base em uma evidência, não é necessário saber se a evidência é factual ou materialmente verdadeira no momento da análise. A análise de confirmação é estritamente lógica e semântica, focada em como o conteúdo da sentença de evidência apoia o conteúdo da hipótese.

Motivações. A partir desse ano, Carnap também publica "On Inductive Logic", resumindo seu novo sistema que visava fornecer uma explicação quantitativa exata para a metodologia da ciência. Por que ele fez esse movimento? De acordo com os artigos, as motivações de Carnap foram as que se seguem.

Necessidade de Explicação (Explication). Carnap via a filosofia como uma "engenharia conceitual" destinada a substituir ferramentas linguísticas primitivas e vagas por conceitos novos e precisos. Ele acreditava que a probabilidade lógica deveria fornecer uma explicação exata para o conceito de confirmação, que é básico na ciência.

Superação da Crise da Verificação. Carnap reconhecia, desde seus primeiros escritos, que as leis científicas universais não podem ser estritamente verificadas, mas apenas confirmadas ou desconfirmadas passo a passo. A lógica indutiva serviria para medir esse crescimento gradual da confiança em uma lei.

Conciliação de Escolas de Pensamento. Ele desejava encerrar a disputa "fútil" entre a concepção lógica de probabilidade (Keynes, Jeffreys) e a concepção frequentista (von Mises, Reichenbach), demonstrando que ambas as teorias tratam de conceitos importantes que se complementam em vez de se excluírem.

Criação de Frameworks Abrangentes. Carnap queria expandir a ideia de "frameworks" linguísticos para que estes incluíssem não apenas regras dedutivas, mas também regras de lógica indutiva que fossem constitutivas do sistema e permitissem a confirmação de sentenças sintéticas (os juízos sintéticos kantianos).

Reconsideração Pessoal. Em 1941, ele reconsiderou o problema da probabilidade após uma leitura mais cuidadosa de Keynes, abandonando a visão de que a confirmação seria apenas comparativa ("mais fortemente confirmada", "menos confirmada"...) e passando a buscar um sistema métrico quantitativo, menos vago, assim como a ciência introduziu o conceito métrico de temperatura para substituir o conceito comparativo de "mais quente".

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Os Dois Conceitos de Probabilidade. O artigo "The Two Concepts of Probability", escrito por Rudolf Carnap em 1945, é dividido em seis capítulos (ou seções) principais. Abaixo está um resumo de cada um deles.

I. O Problema da Probabilidade. Carnap define o objetivo como uma explicação (explication), que consiste em substituir um conceito vago da linguagem comum (o explicandum) por um conceito novo e mais exato (o explicatum). O problema central é encontrar uma explicação adequada para o termo "probabilidade".

II. Os Conceitos Lógicos de Confirmação. O autor explora o lado lógico da confirmação de hipóteses $h$ com base em evidências $e$. Ele distingue três tipos de conceitos de confirmação: positivo ($h$ é confirmado por $e$), comparativo ($h$ é mais confirmado por $e$ do que $h’$ por $e’$) e métrico (o grau numérico de confirmação).

III. Os Dois Conceitos de Probabilidade. Este é o ponto central da obra, onde Carnap argumenta que a maioria das disputas históricas sobre o tema ocorre porque os autores estão tratando de dois conceitos diferentes sob o mesmo nome. Ele os define como 1.) Probabilidade$_1$: O grau de confirmação (conceito lógico) e 2.)  Probabilidade$_2$: A frequência relativa a longo prazo (conceito estatístico/empírico).

IV. A Natureza Lógica dos Dois Conceitos de Probabilidade. Carnap detalha as diferenças entre ambos. A Probabilidade$_1$ é um conceito semântico e analítico, cujas sentenças são verdadeiras ou falsas apenas pela análise lógica, sem depender de fatos. Já a Probabilidade$_2$ é um conceito factual e empírico, que diz algo sobre o mundo físico e deve ser testado por observações estatísticas.

V. O Empirismo e o Conceito Lógico de Probabilidade. O autor defende que o uso da Probabilidade$_1$ não viola os princípios do empirismo. Ele critica a visão de Reichenbach, que tentava identificar os dois conceitos como um só, reforçando que, embora relacionados, eles permanecem fundamentalmente distintos: um é uma estimativa lógica e o outro é uma frequência física.

VI. Probabilidade e Verdade. Carnap discute a confusão comum entre "verdade" e "confirmado". Ele argumenta que, embora nunca possamos verificar definitivamente uma lei física (alcançar a verdade absoluta), podemos determinar seu grau de confirmação. Assim, a lógica indutiva não substitui a lógica clássica de dois valores (verdadeiro/falso), mas adiciona uma escala contínua de confirmação para as sentenças.

Lógica dedutiva versus lógica indutiva. A diferença entre a lógica indutiva e a dedutiva, segundo os textos de 2025[iv], reside na natureza da relação entre as premissas e a conclusão, bem como no grau de certeza que cada uma oferece. A lógica dedutiva é focada na validade lógica e na demonstração de conclusões que são consequências necessárias de suas premissas. Por exemplo, no silogismo científico, se as premissas são necessariamente verdadeiras, a conclusão também deve sê-lo, não havendo possibilidade de erro se a forma lógica for respeitada. Por basear-se em uma estrutura formal fechada, as provas dedutivas são consideradas estáticas.

Por outro lado, a lógica indutiva é descrita como um tipo de raciocínio não dedutivo que não se fundamenta na validade absoluta, mas em graus de probabilidade e na plausibilidade, onde o apoio das premissas torna a conclusão meramente provável. Ao contrário da dedução, os raciocínios indutivos são dinâmicos, pois estão sujeitos a revisões constantes e à busca por novos dados para corrigir crenças anteriores.

Apesar das diferenças[v], ambas as lógicas compartilham uma natureza lógica e semântica. Resolver problemas em qualquer uma delas não exige conhecimento de fatos empíricos, mas apenas a análise do significado das sentenças envolvidas. Em resumo, enquanto a lógica clássica lida com uma relação de "tudo ou nada" (ou a conclusão segue com necessidade ou não), a lógica indutiva quantifica o quanto uma evidência apoia uma hipótese.

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Sobre a Lógica Indutiva. O artigo intitulado "On Inductive Logic", escrito por Rudolf Carnap em 1945, apresenta um resumo informal do sistema de lógica indutiva desenvolvido pelo autor. O objetivo central é fornecer uma explicação quantitativa exata para o conceito de "grau de confirmação", permitindo que a ciência avalie objetivamente o quanto uma evidência apoia uma hipótese.

O artigo é dividido em 16 seções (parágrafos ou capítulos curtos), numeradas de §1 a §16. Abaixo está o resumo de cada uma das seções.

§1. Lógica Indutiva. Carnap distingue entre Probabilidade$_1$ (conceito lógico de grau de confirmação) e Probabilidade$_2$ (conceito empírico de frequência relativa). A lógica indutiva é definida como a teoria do grau de confirmação, atuando como uma "implicação lógica parcial". Citando, logo na página 1:

In a certain sense we might regard deductive logic as the theory of L-implication (logical implication, entailment). And inductive logic may be construed as the theory of degree of confirmation, which is, so to speak, partial L-implication. "e L-implies h" says that h is implicitly given with e, in other words, that the whole logical content of h is contained in e. On the other hand, "c(h, e) = 3/4" says that h is not entirely given with e but that the assumption of h is supported to the degree 3/4 by the observational evidence expressed in e.

§2. Alguns Conceitos Semânticos. Apresenta as bases da lógica de predicados e introduz os conceitos de descrições de estado, que descrevem estados possíveis do universo e amplitude, as descrições de estado nas quais uma sentença é verdadeira.

§3. Funções-c Regulares. Define funções matemáticas ($m$e $c$) para atribuir valores numéricos ao grau de confirmação. Sendo que $m$ é métrica e $c$ grau de confirmação. Em resumo, $m$ é uma medida de volume lógico de uma sentença, enquanto $c$ é a medida da relação de suporte entre duas sentenças, calculada pela razão entre suas amplitudes

§4. O Conceito Comparativo de Confirmação. Introduz uma maneira de comparar se uma hipótese é "mais ou igualmente confirmada" que outra sem a necessidade imediata de valores numéricos.

§5. Funções-c Simétricas. Estabelece o princípio de que a lógica indutiva não deve discriminar entre indivíduos particulares, tratando todos de forma igual.

§6. O Grau de Confirmação $c$. Carnap seleciona uma função específica, chamada $c*$, como a base de seu sistema, fundamentada na atribuição de valores iguais para descrições de estrutura[vi].

§7. Linguagens Apenas com Predicados de Um Lugar. Explica que a teoria foca inicialmente em propriedades simples (como cores) para facilitar a análise matemática antes de expandir para relações complexas.

§8. Inferências Indutivas. Define que "inferência" na lógica indutiva significa determinar o valor exato do grau de confirmação de uma hipótese com base em evidências.

§9. A Inferência Direta. Trata da inferência de uma população inteira para uma amostra.

§10. A Inferência Preditiva. Trata da inferência de uma amostra observada para outra amostra não observada, sendo considerada por Carnap a inferência mais importante[vii].

§11. A Inferência por Analogia. Examina como a similaridade entre indivíduos aumenta a probabilidade de compartilharem outras propriedades.

§12. A Inferência Inversa. Trata da inferência de uma amostra para a população total[viii].

§13. A Inferência Universal. Trata da inferência de uma amostra para uma lei universal (ex: "todos os cisnes são brancos"). Carnap nota que, em um universo infinito, o grau de confirmação de uma lei universal tende a zero[ix].

§14. A Confirmação de Instância de uma Lei. Argumenta que cientistas não precisam que a lei seja universalmente verdadeira para sempre, mas sim que a próxima instância da lei seja confirmada (confirmação de instância qualificada), o que justifica a confiança nas leis científicas.

§15. A Variedade de Instâncias. Explica que a confirmação de uma lei é mais forte quando as evidências vêm de casos variados (ex: testar metais diferentes para a lei da expansão pelo calor) do que quando vêm de muitos casos idênticos.

§16. O Problema da Justificação da Indução. Discute a "reconstrução racional" do pensamento indutivo e defende que o sucesso de um sistema indutivo deve ser medido por sua eficácia em longo prazo em um mundo previsível.



[i] Resumo com o uso de IA e a partir dos arquivos: “The Two Concepts of Probability (1945)”: https://drive.google.com/file/d/1a4rUDve9Zsq--DWSruiMyRkRlxSf-NhC/view?usp=drive_link, “ON INDUCTIVE LOGIC (1945)”: https://drive.google.com/file/d/1NXXEexgt0DypUfdfVFE9A6ZjofEtnSgJ/view?usp=drive_link e “MEANING AND NECESSITY (1947)”: https://drive.google.com/file/d/1JM9xXXoyvmgG52DVIRTpCUI1bLmwakDj/view?usp=drive_link. Os arquivos foram encontrados na grande rede.

[ii] Resumido por IA.

[iii] Um framework serve para substituir linguagens naturais vagas e ambíguas por sistemas precisos que permitem ao cientista ou filósofo criar um "espaço conceitual" onde as afirmações podem ser verificadas ou confirmadas de forma objetiva, eliminando pseudo-problemas metafísicos que surgem da confusão linguística.

[iv] Aspectos de Lógica Elementar - parte 1 (https://bit.ly/4b2Mzdi), Aspectos de Lógica Elementar - parte 2  (https://bit.ly/40iQtbU), Lógica Aristotélica (https://bit.ly/4cDx38W), Introdução à lógica elementar (https://bit.ly/4c7QDdl).

[v] De acordo com as fontes sobre Carnap já citadas.

[vi] Our inductive logic is the theory of this particular function $c*$ as our concept of degree of confirmation.

[vii] The kinds of inference discussed in the subsequent sections may be construed as special cases of the predictive inference. p. 86.

[viii] This inference is of much greater importance for practical statistical work than the direct inference, because we usually have statistical information only for some samples and not for the whole population. p. 88.

[ix] The role of universal sentences in the inductive procedures of science has generally been overestimated. p. 88.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Aspectos de Lógica Elementar - parte 1

Aspectos de Lógica Elementar[i]

Resumo. Esse texto condensa aspectos fundamentais de lógica a partir de um resumo de um manual de lógica, o manual de Desidério e o resumo de Polónio. A lógica analisa os raciocínios, coisa típica do ser humano, coisa que usamos no dia a dia. Mas não se fala só de lógica porque aqui estamos em um espaço de reflexões filosóficas[ii].

Capítulo 1: Lógica. Polónio inicia sua análise da obra de Desidério abordando o raciocínio como “tentativa” de provar uma conclusão baseando-se em premissas. Grande parte do nosso conhecimento é obtido raciocinando-se em busca da verdade sem querer convencer alguém. Por outro lado, quando ser raciocina por meio de argumentos, primeiro visamos persuadir alguém a aceitar uma conclusão já estabelecida[iii]. Um raciocínio é composto por frases articuladas, entidades físicas que, quando usadas para asserir, são declarativas e têm valor de verdade; caso contrário são absurdas, um mero jogo de palavras. Na filosofia, o conteúdo de uma frase declarativa é chamado, embora não consensualmente, de proposição.

Um ponto de atenção, é que os raciocínios estão embutidos em discursos – há que procurá-los, verificando-se o que desempenha papel inferencial, os chamados indicadores de inferência. Por exemplo: os indicadores “logo” e “portanto” podem indicar uma conclusão enquanto que “porque” e “dado que” normalmente indicam premissas. Ocorre que há um trabalho interpretativo nessa busca já que esses indicadores podem não ser evidentes, e precisamos encontrar as premissas e conclusões para que possamos representar a expressão canônica do raciocínio, eliminando o que for dispensável ou ressaltando o que está oculto, para decidirmos se ele é bom, ou seja, cogente[iv].

Raciocínios cogentes têm validade, conceito fundacional da lógica, que significa que têm valor, isto é, a conclusão não é falsa se conhecemos as condições de verdade das premissas e sabemos que são verdadeiras[v]. Importa, mais do que saber se uma frase isolada do raciocínio tem uma verdade atual, saber as condições de verdade das premissas para que não se tenha conclusão falsa. Citando: “A validade é o que permite descobrir o que antes não se sabia com base no que se sabia”. Porém, mais do que isso, um raciocínio cogente envolve a articulação das frases, não só a verdade de cada uma delas, isto é, só ter premissas verdadeiras não é suficiente.

Para evitar que um raciocínio seja circular, então, as premissas devem ser mais plausíveis do que a conclusão. Mas, plausibilidade envolve vários fatores, já que é um juízo de probabilidade com base no contexto e informações de fundo e traz a dificuldade de se chegar a um consenso. Segundo ponto e fundamental: deve ser plausível para o interlocutor e isso envolve conhecer o que é relevante para ele e tentar provar uma conclusão que seja válida, mesmo que inicialmente não aceita por ele. Isso é persuasão e se funda em premissas que, bem plausíveis, levam inevitavelmente à conclusão.

Capítulo 2: Verofuncionalidade. Raciocínios têm uma estrutura de frases que lhe são comuns e que explicitam sua forma lógica e ela deve ser suficiente para indicar se ele é válido ou não. A lógica clássica é, assim, uma lógica formal e ela se inicia com a lógica proposicional que Desidério prefere que seja chamada de lógica verofuncional já que proposição é uma noção em disputa; e depois continua com a lógica quantificada. A lógica verofuncional se limita a validar raciocínios cujas condições de validade se dão por cinco operadores de formação de frases, ou conectivas, que são a negação (operador unário), conjunção, disjunção, condicional e bicondicional (equivalência).

Polónio destaca um ponto que Desidério chama a atenção: se os indicadores de inferência permitem formar frases a partir de frases, o papel semântico das conectivas é o de formar raciocínios, encadeamento de frases, cujo valor de verdade se determina exclusivamente pelo valor de verdade delas, que podem ser analisados por tabelas de verdade[vi]. Então, os operadores funcionam como funções matemáticas cujos valores de saída (no caso, valores de verdade) são determinados pelos valores de entrada. E esses cinco operadores verofuncionais são poderosos porque se aplicam não somente a frases binárias, com dois componentes, mas a ternárias e assim por diante.

Para se provar a validade de raciocínios verofuncionais por tabelas de verdade (ou validade), devemos reescrever o raciocínio na forma canônica, conforme dito no capítulo 1, depois as frases elementares com valor de verdade são representadas por letras minúsculas, para daí se construir sequências de tabelas de verdade para as premissas e a conclusão e, por fim, verificar se em alguma linha há conclusão falsa, o que quer dizer que há pelo menos uma premissa falsa; caso contrário, o raciocínio é válido: se todas as premissas são verdadeiras a conclusão também o é. Reverberemos junto com os autores: o exame prova que a conclusão é verdadeira e que podemos, então, tentar descobrir se as premissas são, de fato, verdadeiras e aí a conclusão também será.

Por fim Polónio trata das falácias, raciocínios que parecem cogentes, mas não o são. Ele argumenta que as tabelas de validade são instrumentos certeiros para identificar raciocínios verofuncionais[vii] sem validade, não somente mero exercício extravagante de lógica. Mas, somente a forma lógica não é capaz de provar a validade em casos em que há falta de clareza onde é capaz que nem o próprio autor saiba o que tem em mente[viii].

Capítulo 3: Derivações. A derivação, conforme define Polónio, é um processo de demonstração ou prova formal por regras de inferência, como substituição ou reductio. Por exemplo, podemos ter raciocínios com premissas inconsistentes que são chamados de vacuamente válidos[ix], mas que podem ser bloqueados mudando-se a definição de validade, porém, segundo o autor, seria difícil tratar derivações vácuas com a lógica clássica.

Capítulo 4: Quantificação. A lógica quantificada clássica estende a lógica verofuncional incluindo o raciocínio quantificado, quando se usam predicados, nomes próprios e quantificadores, além dos operadores verofuncionais, mas sem aumentar o poder inferencial. É o quantificador universal “todos” e o quantificador existencial “pelo menos um” que abreviam conjunções e disjunções. Admitindo-se um domínio de quantificação com dois particulares, quando todos têm certa propriedade, um e o outro a tem, quando pelo menos um a tem, um ou outro a tem.

Capítulo 5: Identidade. É o conceito de identidade – relação e que permite formar frases verdadeiras se atribuída ao mesmo particular, que amplia a verofuncionalidade. As frases de identidade têm a forma lógica a = b, como em “Vênus é a Estrela da Manhã”, que é uma identidade numérica e se refere a apenas um particular, mesmo que seja referido por nomes próprios diferentes. Já a identidade qualitativa refere diferentes particulares que partilham várias propriedades como dois átomos de hidrogênio[x].

Se um nome próprio se refere a um particular, ele não o faz por predicados, isso é papel da descrição definida. “Francisco” é um nome próprio que pode se referir a um particular ao passo que “o primeiro Vice-rei da Índia” é uma descrição definida que se refere a um particular usando um atributo (predicado)[xi].

Como a relação de identidade tem as propriedades lógicas de reflexão, simetria e transitividade, Polónio levanta o problema do domínio do vazio que a lógica quantificada clássica trata adequadamente. Já na identidade, a reflexividade (x = x) deixa de ser verdadeira porque, sendo uma afirmação existencial, isto é, do tipo “existe pelo menos um x tal que x=x”, se o domínio é vazio, não há nenhum x para satisfazer a fórmula[xii].

Por fim, Desidério tratará, de acordo com Polónio, da substituição de idênticos que afirma que se a = b, eles podem ser intercambiáveis em qualquer frase mantendo-a válida. É a regra da substituição de idênticos salva veritate, também chamada “princípio da indiscernibilidade de idênticos”[xiii].

Capítulo 6: Árvores. Polónio cita brevemente as árvores de verdade como ferramenta que pode provar tanto a validade quanto a invalidade dos raciocínios, coisa que as derivações não conseguem porque não sabemos se ainda haveria outra derivação a ser descoberta. Elas podem ser aplicadas nas lógicas verofuncional e clássica, além de suportar a regra da substituição de idênticos, embora trabalhe sempre por reductio[xiv].



[i] Resumo de Lógica Elementar: Raciocínio, linguagem e realidade de Desidério Murcho, por Artur Polónio em https://criticanarede.com/logicaelementar.html.

[ii] Capítulo 1: Lógica, Capítulo 2: Verofuncionalidade, Capítulo 3: Derivações, Capítulo 4: Quantificação, Capítulo 5: Identidade, Capítulo 6: Árvores, Capítulo 7: Modalidade, Capítulo 8: Além da linguagem, Apêndice: Lógica aristotélica. Aqui não trataremos dos últimos 3 capítulos: o capítulo 7 trata da lógica modal alética que é uma extensão da lógica clássica e introduz os conceitos de necessidade e possibilidade para analisar como as frases podem ser verdadeiras, distinguindo a verdade contingente da verdade necessária, com o auxílio da linguagem dos mundos possíveis. O capítulo 8 procura mostrar que o raciocínio, seja dedutivo ou indutivo, depende de provas falíveis e exige a busca contínua por erros e novas informações, ajustando crenças à realidade para alcançar o conhecimento. Por fim, o apêndice diz que a lógica aristotélica, embora inovadora e influente por séculos, possui limitações como a dificuldade em lidar com termos vazios e a distinção entre sujeitos e termos sujeitos, o que faz com que seja considerada, hoje, uma investigação de alcance limitado.

[iii] Em suma, enquanto todo argumento é um tipo de raciocínio, nem todo raciocínio é um argumento. A diferença fundamental está na intenção: descobrir a verdade versus persuadir alguém (https://g.co/gemini/share/4d29cd75b525).

[iv] Cogente: adjetivo de dois gêneros. 1. Cuja veracidade satisfaz de maneira total e coerciva o entendimento ou o intelecto (ex.: argumento cogente). 2. Que coage ou constrange. Etimologia: latim cogens, -entis, particípio presente de cogo, -ere, constranger, forçar, restringir. "cogente", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/cogente.

[v] Raciocínios também têm todas as premissas verdadeiras, premissas mais plausíveis do que a conclusão e paridade epistêmica.

[vi] Conforme definição que Polónio traz da citação de Desidério: “Um operador verofuncional pode agora ser definido da seguinte maneira: Um operador de formação de frases é verofuncional se e somente se o valor de verdade da frase que o tenha como operador principal for exclusivamente determinado pelo valor de verdade da frase ou frases sem ele”.

[vii] Há raciocínios dedutivos, do geral ao particular e indutivos, do particular ao geral, por exemplo, conforme O Google.

[viii] No próximo capítulo Polónio enfatizará limitações das tabelas de validade, como quando há mais de quatro frases elementares ou a ausência de um método para, partindo de premissas chegar validamente à conclusão. Seu papel seria de clarificar conceitos como validade e forma lógica.

[ix] Em conversa com o assistente de IA da Google, parece que os raciocínios vacuamente válidos, que ocorrem na lógica proposicional, se fiam na implicação “se P, então Q” P → Q, que só é falsa se quando P é verdadeiro e Q é falso. Se P é falso, por exemplo quando as premissas são inconsistentes ou contraditórias, não importa Q, isto é, a afirmação é sempre verdadeira. É uma implicação material entre P e Q, não uma relação de causa e efeito ou algo que tenha sentido. A matéria, nesse caso, são os valores de verdade e não tem a ver com o significado da relação entre as proposições. É o caso de "Se a Terra é plana, então o céu é verde".

[xi] Conforme Polónio, Russell via as descrições definidas como conjunções existencialmente quantificadas, com uma forma lógica própria. Sobre esse tema já falamos: https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/2023/06/quem-e-o-homem-no-canto-da-sala-bebendo.html, https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/2023/02/descritivismo.html, https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/2022/07/fontes-iniciais-da-filosofia-analitica.html.

[xii] Com apoio do Gemini (https://g.co/gemini/share/2db637646756), embora haja possíveis soluções para este problema / paradoxo.

[xiii] Princípio da indiscernibilidade de idênticos: ou “Discernibilidade de Não-Idênticos”? https://www.reflexoesdofilosofo.blog.br/2025/04/superparticulares.html.

[xiv] Conforme Gemini (https://g.co/gemini/share/0cb21fa851a0): o método é uma prova por contradição (reductio ad absurdum). Ele não constrói a derivação lógica passo a passo que leva das premissas à conclusão. Em vez disso, ele assume a negação da conclusão e tenta mostrar que essa suposição leva a uma contradição com as premissas. Se uma contradição é encontrada, a negação da conclusão é falsa, o que significa que a conclusão original deve ser verdadeira.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Estruturas perceptivas e inferenciais

Nós não vemos as mesmas coisas e isso é, preferencialmente, uma questão de linguagem[i]

Uma distinção entre ver e enxergar. Você vê, mas enxerga? O ato de ver algo quer dizer que sabemos o que estamos vendo (enxergamos?)? Por exemplo, uma pessoa que, não sabendo latim, olha para uma página com um texto em latim, não compreende o que está vendo, porém ao olhar para a mesma página em português, se conhecedora da língua, entenderá. É como quando estamos tentando explicar algo para alguém e dizemos: “ali, ó! Não está vendo?”. E por aí vai, com conhecimentos gerais ou específicos das mais variadas áreas, como no contraste da experiência entre um crítico de arte visualizando uma obra e um leigo que vai ao museu pela primeira vez. Se parece óbvio para alguns é inalcançável para outros.

Experiência sensória e conhecimento epistêmico. Então, há um ato fisiológico de perceber as coisas pela experiência sensória (o que chamei de ver), mas há algo além desse ato, como postula Wilfrid Sellars[ii], que é um tipo de conhecimento de natureza epistêmica (o que chamei de enxergar), como uma razão ou crença justificada[iii], cuja primazia é sua natureza inferencial. O conceito primordial de Sellars é a percepção e, para ele, não existe percepção não conceitual.  Não se pode negar, conforme argumenta Pettersen, a natureza causal da experiência, mas ela, por si só, não representa conhecimento porque ele requer uma estrutura que possa articular essa experiência.

Mito do dado. Sellars, conforme argumenta Pettersen, é um crítico do empirismo e formulou o mito do dado: supor que as experiências sensórias per se constituem conhecimento, isto é, supor que ver é saber (ie, enxergar). Com sua crítica, ele recusa que o dado "cru" da experiência é a fonte do conhecimento, como quando citamos que ver um texto em latim não quer dizer que o compreendemos. No cerne da argumentação está uma suposta ambiguidade na teoria dos dados dos sentidos[iv], a confusão entre “estar consciente” e “saber”.

Crenças. Na base do nosso conhecimento há crenças, conteúdos mentais que podem ser do tipo “preferir o vermelho ao azul” (uma simples preferência) ou “a lei da gravidade” (uma lei científica) que, baseada em justificativa racional, é o conhecimento do tipo epistêmico que estamos enfatizando, como “saber algo”. Podemos ver coisas e estarmos conscientes delas, como animais ou crianças bem pequenas que não sabem exatamente o que está acontecendo para além de dados particulares que não representam fatos epistêmicos; particulares são experiência não articuladas epistemicamente, não organizadas por uma estrutura conceitual.

O caminho do conhecimento. Se a nossa experiência começa pelo objeto físico, por sentir um conteúdo sensorial, é a partir daí que começamos a ter crenças, um começo de conhecimento, mas que só será inferencial quando há articulação daquela experiência e se pode fazer implicações. Mas, para o empirismo clássico (Hume, Locke e Berkeley), sentir é uma forma de conhecer, salta-se do objeto físico para um conteúdo epistêmico diretamente.

Nominalismo psicológico. Para Sellars e, conforme enfatiza Pettersen, tomando por base o guia de estudos de Brandom, é um caminho que vai do sentir (fisiológico, terminações nervosas) para uma crença não inferencial (psicologia) e só depois que a filosofia atua, no último passo do conhecimento, de crenças inferenciais que ordenam o mundo pela linguagem, no que constitui o nominalismo psicológico, já que é a linguagem que estrutura a nossa psique[v].

Ética. Estamos no campo da ética que já está bem distante do objeto físico. É aí que formulamos conceitos, ou mal os formulamos, como no caso do racismo. De fato, não há diferença entre pessoas pela cor da pele, mas é uma experiência conceitual prévia que o determina, algo cultural, não natural.

Senciência e Sapiência. Por fim, nessa primeira aproximação de Sellars, cabe destacar a diferença entre senciência, no campo do sentir e sapiência, já na esfera da episteme. Para o último caso, cabe dizer que “sei que sei” (enxergo), enquanto o primeiro só sabe (vejo), mas não sabe que sabe. Como as crianças fera[vi] criadas por animais e, quando resgatadas, não têm nenhum conceito – uma crítica ao inatismo.



[i] Reflexão introdutória a partir das aulas de https://www.youtube.com/@brunopettersen, Bruno Pettersen: Sellars – Empirismo e Filosofia da Mente.

[ii] De acordo com a Wikipedia, Wilfrid Stalker Sellars foi um filósofo americano, ligado à Universidade de Pittsburgh desde 1963 até à sua morte e que apresentou a doutrina do nominalismo psicológico, segundo a qual todo o estar ciente é uma questão linguística.

[iii] Recupera-se, aqui, a tese platônica de que conhecimento é crença verdadeira justificada.

[iv] Interessante que dados dos sentidos vêm de Russell, mas ele já separa a tese de Berkeley que misturou o dado com o sentido.

[v] Esta visão estaria associada Husserl e Merleau-Ponty, de acordo com Pettersen.

[vi] https://pt.wikipedia.org/wiki/Crian%C3%A7a_selvagem: Crianças selvagens são crianças que logo nos primeiros anos de vida passaram a viver em completo isolamento da humanidade. São crianças que depois de pouco tempo de vida se perdem da população, vivem como animais, não falam e não andam como pessoas socializadas. Tais histórias se originaram de relatos relativamente comuns no século XVIII, que descreviam crianças encontradas no campo, tidas como sobreviventes por circunstâncias especiais, desde os primeiros anos de vida, criadas por animais, sem contato com humanos e assim se tornando selvagens.

sábado, 5 de agosto de 2023

Teorias semânticas do uso

Uma introdução ao significado como uso da linguagem mediante regras ou relações de inferência [i]

Dado que numa teoria proposicional do significado as frases são entidades abstratas e inertes, surgem teorias do uso do significado e, advogando a esse respeito Wittgenstein (o segundo), que aproximou frases de peças em um jogo e que são usadas em práticas sociais convencionais e regidas por regras. O significado, para uma teoria do uso, é o emprego correto de expressões. Por outro lado, Wilfrid Sellars aproxima o ato de inferir de uma expectativa social, se contrapondo ao fato de exprimir uma proposição. Não obstante, as teorias do uso enfrentam obstáculos, como é o caso de explicar como o uso da linguagem difere do jogo de xadrez, por exemplo, já que esse não gera significado, ou como uma frase significa que tal e tal.

Há conhecida anedota de que Russell examina as frases no quadro de negro como objetos em si, o que foi combatido por Wittgenstein e Austin que viam a linguagem como prática social. Contudo, se as proposições são abstrações do que é dito no mundo real, não se pode negar que há abstrações, por exemplo, quando abstraímos um som sonoro ou a própria gramaticalidade. Ainda haveria a perspectiva de Strawson de que proferir é produzir.

O uso num sentido aproximadamente wittgensteiniano

Do ponto de vista de Wittgenstein, é por algo familiar que entramos no misterioso mundo do significado. A apreensão do significado se dá pelo receptor e a compreensão pelo ensino e aprendizagem da linguagem no comportamento conversacional de fazer jogadas, como quando as crianças aprendem rapidamente o que fazer perante certos ruídos[ii]. Embora ele não negue que haja relações referenciais, para ele a atividade linguística se dá por meio de regras similares as de jogar jogos onde as expressões (olá, obrigado) são como as peças (cavalo, torre). Há diversos jogos de linguagem (encontrar alguém e saudar, linguagem entre marido e mulher ou a aritmética...) nos quais se utilizam dispositivos convencionais e papéis funcionais usados em determinadas ocasiões e contextos.

O jogo de linguagem é ilustrado pela famosa analogia da linguagem primitiva entre servente e pedreiro, onde o que conta é a função (fazer algo) e não a relação de referência. Mas essa ilustração traz a dificuldade com frases longas e complexas que necessitariam de um mecanismo adicional como a verificação, que foi proposta pelos positivistas lógicos. Outro ponto difícil para a abordagem de Wittgenstein é o da consequência lógica, algo que a teoria inferencial do significado de Sellars lidaria ao tomar o ato de inferir como ato social e regras de entrada e saída baseadas na prática social e não em verdades lógicas.

Objeções e algumas respostas

Isso posto, nota-se que, se a teoria do uso evita as principais objeções das teorias já vistas (referencial, ideacional e proposicional), além de ser naturalista por trazer o uso da língua no mundo real, obviamente também enfrenta objeções. Um primeiro ponto é o de explicar a diferença de significado de uma expressão na Terra ou na Terra Gêmea, com a resposta de que se tratam de jogos diferentes já que as regras são em função de coisas. Um segundo ponto é explicar a regra de uso para nomes, o que conduz ao descritivismo. Depois, trata-se de explicar como podemos compreender frases longas em uma primeira vez sem ter havido convenção anterior. E aqui recorre-se ao princípio de Frege de compreender novas frases composicionalmente pela combinação de palavras que vão além da norma.

Seguindo com as objeções, Lycan cita o caso de saber usar a expressão sem a compreender, qual seja, uso perfeito, mas significado nulo. A quinta objeção coloca que as atividades regidas por regras não têm o significado da linguagem, mas o que os distingue? Aqui Lycan faz uma discussão com o pano de fundo de que em um jogo as regras estão circunscritas a ele, mas na linguagem há regras mais “ricas” e que permitem a predicação. Por outro lado, se é demasiadamente desacreditada a regra do jogo (menos rica), seu convencionalismo se torna insuficiente de dar conta da linguagem que trataria de coisas do mundo[iii], o que levaria a abrir uma porta para o referencialismo.

Fechando as objeções, a última observa que jogos, apesar de significativos, não permitem asserções, diferentemente da linguagem, isto é, não se consegue “dizer que P”, os jogadores não dizem ou pedem que algo, coisa essencial da linguagem[iv].

Inferencialismo

Robert Brandom, comentador de Sellars, traz uma concepção de uso normativa que foge de algumas objeções das ideias originais de Wittgenstein e que releva o papel da referência. Para ele, de acordo com Lycan, há um compromisso associado com a elocução pública da frase, feita com base em razões, regras e um histórico dos acontecimentos.

Sobre a distinção entre os jogos e a linguagem, a proposta de Brandom mostra que as jogadas do xadrez, por exemplo, não são inferências, ao passo que as elocuções linguísticas, alicerçadas em uma razão probatória, são inferenciais.  Ele também pode escapar da terceira objeção ao admitir um tipo fraco de composicionalidade ao tratar de frases longas.

Por fim, por ser demais epistemológica ao usar noções como justificação, defesa, etc., tende-se a se aproximar a teoria inferencialista mais do verificacionismo do que de Wittgenstein, mas ainda nos restará analisar a teoria de Austin de ato ilocutório que se baseia na teoria do uso. 



[i] Fichamento de Filosofia da linguagem: uma introdução contemporânea. LYCAN, William. Tradução Desiderio Murcho. Portugal: Edições 70, 2022. Capítulo 6: Teorias do uso.

[ii] Notadamente chorar frente à dor.

[iii] Ou conforme citação a Friedrich Waismann, os genuínos jogos de linguagem estariam integrados na vida.

[iv] Função-que ainda carente de aprofundamento.