sexta-feira, 25 de abril de 2014

Argumentação

A argumentação faz parte do nosso dia a dia porque, como seres sociais que somos, nos envolvemos em situações de diálogo onde precisamos defender nossas opiniões.

O processo de argumentação tem como meta o esclarecimento de nosso ponto de vista (dependendo da nossa certeza visa o predomínio de nosso ponto de vista). Nesse processo, podemos nos utilizar de alguns métodos, como a retórica (rebuscamento da oratória), a ética (baseado em um bem ou valor), a lógica (encadeamento de ideias) ou a empiria (experiência prática).

A retórica sem dúvida tem alto poder de convencimento porque pode iludir; podemos acreditar no discurso em si mesmo: emocionante, cativante, delicioso, triste.

A ética se agarra na cultura dos envolvidos, no que é relevante para o tema do debate e para os debatedores e pode ludibriar, pender, moralizar.

A lógica não tem sentimento nem valor, mas não tem erro. Não abarca tudo, mas satisfaz dentro do contexto e permite provar de trás para frente, e vice-versa.

A empiria é aquilo de cada um, do que apareceu na vida; está colada no mundo, resultado do que resvala em nosso corpo, das refregas de nosso entendimento com o dos outros.

Dependo do tipo de diálogo e da importância da situação (e de regras: quantidade de envolvidos, critérios de consenso e igualdade de condições) escolhemos o método que mais se adéqua.

Mas, independente do método, é a meta que importa: esclarecimento, se possível, certeza. Senão caímos no vazio da subjetividade que é oposto ao processo de argumentação. Vazio esse essencial, vital. Mas isso é tema para outra reflexão...

terça-feira, 18 de março de 2014

Falas

Gostaríamos de dividir a fala (essa "vulgar", do dia-a-dia), no que se refere ao grau de importância ou relevância, em dois tipos: contingente e necessária.

A fala envolve o falante e o ouvinte numa relação de troca mecânica, de emissão e recepção de sons, mas atinge também o sentimento e o pensamento: atinge a pele, o coração e a razão.
Nesse sentido que queremos caracterizar a fala: o que daí é relevante? O que daí merece ser analisado sob algum prisma de valor?

A fala contingente é aquela que se dá de modo espontâneo, uma fala que "brota", um impulso que explode no ar. Essa fala fica por ali na região do sensível, é um ato totalmente atrelado ao corpo, do mesmo jeito que vem, volta. A fala contingente é a fala da paixão, é o grito, o palavrão, o susto, a braveza, a decepção. Uma fala que ACONTECE.

A fala necessária vem de dentro, é articulada, cada palavra é desenvolvida dentro de um discurso, é uma fala utilizada como meio para se chegar a algo ou para atingir um objetivo. A fala necessária é elaborada racionalmente e o que dela se deve produzir é visto como algo responsável, algo que deve PERMANECER.

Dessa caracterização, podemos associar a fala contingente à existência e a fala necessária à essência.
A fala da existência é aquela da pele e do coração que pulsa, que ACONTECE, vai e vem: dela não se deve guardar mágoa. É um sentimento passageiro, é um fim em si. Aconteceu, já foi.
A fala da essência pretende demarcar um território e se origina na razão, ela PERMANECE. E dessa permanência causas são produzidas e todo um modo de orientação.

A fala da existência é um apoio para o dia a dia, é útil, mas não é importante. Não deve ser levada em consideração em qualquer análise mais ampla ou profunda. Quando visamos coisas importantes, um fim ou uma ideia séria e sensata, devemos nos ater à fala da essência e só dela poderemos fazer um juízo de valor.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Tzvetan, Pondé, Safatle

Folha, domingo - 09/03/2014: Tzvetan nos conta de sua mudança de atitude e de como as suas "preocupações sociais deveriam ressoar no seu trabalho".

Folha, segunda - 10/03/2014: Pondé na sua coluna se dirige aos filósofos críticos do comércio como maus filósofos (hein?!??).

Folha, terça - 11/03/2014: Safatle na sua coluna exalta a população carioca que aplaudiu os garis em greve.

Mas a filosofia não é conceito? Não é o desvelamento da razão??

Esses filósofos contemporâneos nos mostram que a filosofia está totalmente inserida na prática cotidiana e que talvez a busca da VERDADE tenha ficado no passado.

O "engajado" Tzvetan aponta o caminho: unir o conceito com o social, pensar a partir de um prisma e agir sobre este prisma.

O "niilista" Pondé faz uma crítica um tanto assoberbada aos colegas (de hoje e de ontem).

Mas o "belo" Safatle por hora esclarece: ao transformar a notícia, uma "simples" greve de garis e suas consequências políticas e sociais, cria o roteiro de um texto revelador: é nas pequenas coisas que o conceito brota. Ele faz a crítica e revela a verdade escondida nos detalhes.


sábado, 8 de março de 2014

Consumo

O consumo é o principal ato individual que rege o sistema capitalista, no que tange a nossa "possibilidade de escolha". Consumir é adquirir bens e serviços; consumir é escolher dentre possibilidades e ante capacidades financeiras.

Mas essa escolha é negativa. Não escolhemos porque queremos ou oque queremos.
Escolhemos porque somos obrigados pelo sistema capitalista e pela sociedade: a nos vestirmos, a usarmos tecnologias, etc.
Escolhemos a partir de opções dadas e não imaginadas ou criadas por nós.

Escolhemos uma criação alheia, de outro. Existe uma manipulação por trás da mercadoria, do produto. Ao mesmo tempo o produto abstrai o criador e ganha forma e autonomia. O consumo é movido pela mercadoria que fascina e domina.

E acreditamos que o conforto trazido pelo consumo vale essa liberdade condicionada.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Cavalidade

Conhecemos UM cavalo ou O cavalo? Conhecemos cada cavalo: um cavalo, dois cavalos, três cavalos, ou conhecemos o cavalo ideal?


O ser humano conhece conceitos, e aqui não importa se nascemos com eles ou se eles são adquiridos com a experiência.
Somente conhecendo UM cavalo não conhecemos CAVALO, precisamos conhecer outro cavalo (semelhante) para abstrairmos o conceito de cavalo (a cavalidade). Somente UM cavalo no mundo é uma coisa estranha.

Disso concluímos algumas coisas, dentre elas: não tomar o todo - a cavalidade (ou a humanidade...) - pela parte (podre) e que cada parte (cada cavalo) é composta de acidentes específicos da CAVALIDADE ideal. Cada parte é uma tentativa não perfeita, não realizável idealmente.

Daí que cada cavalo é contingente e só estamos certos, só temos conhecimento racional humano, conhecimento seguro da cavalidade: da essência.

O objeto de discussão do UM individual não deve ser tratado na esfera do conhecimento e, arriscamos dizer: não deve ser levado tão a sério. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Comunicação Virtual

Tudo o que é feito pela informática e pela computação é invenção do homem. Qualquer objeto dentro de um sistema de computador é um objeto artificial, referenciado comumente como virtual.

Mas existe algo de real no mundo virtual? Por exemplo: quando as pessoas se comunicam por mídias sociais, o que há aí de real?

A comunicação é artificial/virtual, baseada em bits e bytes. Mas, uma vez que uma mensagem é codificada e decodificada, ela se torna necessariamente artificial?

Então o jornal, o livro e a TV são artificiais, porque a linguagem é codificada em todos esses casos. A codificação é uma meta linguagem que permite a comunicação e que a torna artificial: virtual.

Talvez somente o que se fala e no momento que se fala seja algo real (natural), dentro desse limite de comunicação codificada.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O outro e o sorrir

A minha (sua, de cada um, nossa) condição de possibilidade de existência pressupõe a existência do outro?
Ou: viveríamos, existiríamos e persistiríamos sozinhos, completamente isolados e independentes de outrem? 

Digo: o fato da racionalidade exige e determina NECESSARIAMENTE o eu dependente de outro. Mas isso é algo que ainda precisamos comprovar.

Por hora, perguntamos: por que quando estamos felizes sorrimos? 

Essa "expressão" é para o outro. E o sorrir também é motivado pelo outro.
Vem DO OUTRO e é PARA O OUTRO.

Podemos concluir que o sorrir não é nosso: é do outro. É uma manifestação corporal e sentimental que começa e termina no outro.