Gostaríamos de dividir a fala (essa "vulgar", do dia-a-dia), no que se refere ao grau de importância ou relevância, em dois tipos: contingente e necessária.
A fala envolve o falante e o ouvinte numa relação de troca mecânica, de emissão e recepção de sons, mas atinge também o sentimento e o pensamento: atinge a pele, o coração e a razão.
Nesse sentido que queremos caracterizar a fala: o que daí é relevante? O que daí merece ser analisado sob algum prisma de valor?
A fala contingente é aquela que se dá de modo espontâneo, uma fala que "brota", um impulso que explode no ar. Essa fala fica por ali na região do sensível, é um ato totalmente atrelado ao corpo, do mesmo jeito que vem, volta. A fala contingente é a fala da paixão, é o grito, o palavrão, o susto, a braveza, a decepção. Uma fala que ACONTECE.
A fala necessária vem de dentro, é articulada, cada palavra é desenvolvida dentro de um discurso, é uma fala utilizada como meio para se chegar a algo ou para atingir um objetivo. A fala necessária é elaborada racionalmente e o que dela se deve produzir é visto como algo responsável, algo que deve PERMANECER.
Dessa caracterização, podemos associar a fala contingente à existência e a fala necessária à essência.
A fala da existência é aquela da pele e do coração que pulsa, que ACONTECE, vai e vem: dela não se deve guardar mágoa. É um sentimento passageiro, é um fim em si. Aconteceu, já foi.
A fala da essência pretende demarcar um território e se origina na razão, ela PERMANECE. E dessa permanência causas são produzidas e todo um modo de orientação.
A fala da existência é um apoio para o dia a dia, é útil, mas não é importante. Não deve ser levada em consideração em qualquer análise mais ampla ou profunda. Quando visamos coisas importantes, um fim ou uma ideia séria e sensata, devemos nos ater à fala da essência e só dela poderemos fazer um juízo de valor.
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terça-feira, 18 de março de 2014
Falas
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Comunicação Virtual
Tudo o que é feito pela informática e pela computação é invenção do homem. Qualquer objeto dentro de um sistema de computador é um objeto artificial, referenciado comumente como virtual.
Mas existe algo de real no mundo virtual? Por exemplo: quando as pessoas se comunicam por mídias sociais, o que há aí de real?
A comunicação é artificial/virtual, baseada em bits e bytes. Mas, uma vez que uma mensagem é codificada e decodificada, ela se torna necessariamente artificial?
Então o jornal, o livro e a TV são artificiais, porque a linguagem é codificada em todos esses casos. A codificação é uma meta linguagem que permite a comunicação e que a torna artificial: virtual.
Talvez somente o que se fala e no momento que se fala seja algo real (natural), dentro desse limite de comunicação codificada.
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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Estrutura
Existe uma estrutura racional que é comum a todo ser humano.
Por causa dela há consentimento, há acordo.
Se não fosse ela, não haveria progresso, não haveria ciência.
Um fala, todos entendem.
Todos falam, um entende.
Mas até que ponto há vontade nessa estrutura? A estrutura não existe sem vontade.
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