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terça-feira, 14 de julho de 2015

Dois condicionantes para uma pseudo análise social

  Gostaríamos de explicitar dois condicionantes ou dois fatores que orientem ou permitam conduzir-nos em um viés de análise de comportamentos sociais.

  O primeiro deles se enuncia da seguinte forma: nunca devemos sobrecarregar qualquer pessoa em uma situação em que ela está com o sistema, ou seja, se devemos apontar um culpado devemos sempre nos atentar para a ascendência do sistema sobre o cidadão comum. Isso não significa relevar sua responsabilidade, mas que em cada caso há que se averiguar quais possibilidades de ação ocorreriam levando-se em consideração a desvantagem inerente a essa correlação de forças. A influência do sistema é tal que certos casos somente podem ser analisados dada a correlação às vezes não declarada. A conclusão de modo algum significa omissão ou isenção de responsabilidades, mas sim uma análise coerente com uma época em que o sistema é tão abstrato e implacável que nos cerceia e conduz covardemente nossas ações.

  O segundo ponto diz respeito à falta de informação ou dificuldade de acesso à informação, ou seja, o quanto nossa possível culpabilidade pode ser reconsiderada levando-se em conta que o sistema privilegia a competição. Nesse sentido, a informação que adquiro me serve, me orienta, isso é o bastante. Transmitir a informação vai além de nossas possibilidades e desejos, precisamos nos armar. Não está no estímulo sistêmico uma transferência aberta e irrestrita, não por desonestidade, mas por finalidade. Simplesmente porque não é do nosso feitio, é avesso às regras do jogo.

  Assim sendo, os dois pontos concatenados, o primeiro proveniente de um marxismo embrionário e o segundo de uma vertente que privilegia liberdades individuais, sugerem que nossa abordagem ou julgamento de atitudes alheias deve estar bem embasado, deve se ajustar a cada situação.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Tzvetan, Pondé, Safatle

Folha, domingo - 09/03/2014: Tzvetan nos conta de sua mudança de atitude e de como as suas "preocupações sociais deveriam ressoar no seu trabalho".

Folha, segunda - 10/03/2014: Pondé na sua coluna se dirige aos filósofos críticos do comércio como maus filósofos (hein?!??).

Folha, terça - 11/03/2014: Safatle na sua coluna exalta a população carioca que aplaudiu os garis em greve.

Mas a filosofia não é conceito? Não é o desvelamento da razão??

Esses filósofos contemporâneos nos mostram que a filosofia está totalmente inserida na prática cotidiana e que talvez a busca da VERDADE tenha ficado no passado.

O "engajado" Tzvetan aponta o caminho: unir o conceito com o social, pensar a partir de um prisma e agir sobre este prisma.

O "niilista" Pondé faz uma crítica um tanto assoberbada aos colegas (de hoje e de ontem).

Mas o "belo" Safatle por hora esclarece: ao transformar a notícia, uma "simples" greve de garis e suas consequências políticas e sociais, cria o roteiro de um texto revelador: é nas pequenas coisas que o conceito brota. Ele faz a crítica e revela a verdade escondida nos detalhes.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Poeira Social

Existe uma camada entre a gente e o mundo, entre cada homem entre si, entre cada um de nós e o outro, dentro da sociedade.

Nossas relações sociais se dão perpassando essa camada de poeira. Essa camada mistura sensações e percepções que são gerais, além do psicológico de cada um que é modelado pelo meio social e cultural.

O que de nós, de nosso interior, está realmente em nossa comunicação e nas relações? Existe uma essência interna de cada homem que é blindada e inibida por essa camada e nada é certo nas relações sociais.

Existe um remédio que, tomada uma dose, nos permite olhar para o outro e para o mundo de maneira límpida e clara? Existe um remédio para a camada de poeira social?

Ou ela é necessária porque nós somos necessariamente carne e espírito? Carne = existência (social, poeira) e espírito = essência.