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terça-feira, 21 de julho de 2020

A Filosofia e o conceito

A gente acha que filosofar é simplesmente ficar falando um monte de bobagem que ninguém entende, mas não é bem assim. A filosofia é feita de conceitos, conforme mostraram Deleuze e Guattari em “O que é a filosofia?”. E haja conceitos ali!
Mas conceitos são palavras e, além disso, não há geração espontânea de conceito. Eu não terei uma ideia genial, ex abrupta, aqui e agora. Há o acumulado, o edifício da sabedoria…
Eu só queria falar de fenomenologia, fazer uma introdução. Mas fenomenologia remete a fenômeno, que remete a Kant, que remete a Hume e Descartes que remete.... Enfim, não tem fim.
Ou seja, cada palavra-palavrinha que usamos tem sentido. E como se não bastasse o significado no vocabulário de uso comum, há os usos técnicos e particulares. Pegue a diferença entre análise e síntese: analisar é pegar tudo o que está ali e verificar coisa por coisa, mas já está tudo ali; sintetizar é juntar tudo o que está lá em algo, surge algo. Certo? Não sei, depende, qual a finalidade?
Estão vendo? Isso é filosofia? Não, não é se realmente não tiver um objetivo.  A própria filosofia e sua função são objeto de estudo. A famosa metalinguagem… Qual a diferença entre história da filosofia e filosofia da história? Haveria um filosofia da história da filosofia ou história da filosofia da história? Credo!!!
Tantos conceitos que muitas vezes excluem. Isso Foucault notou: uma história de exclusão na filosofia, de expulsar os poetas, do discurso ou do sofisma (ou da doxa, etc.). Mas eu gostaria de incluir, de falar dos conceitos, das correntes filosóficas, do linguajar. É bonito. Mas não esse monte de bobagem desse texto, deve ser algo explicado, contextualizado, tim-tim por tim-tim.
A gente já vive num país periférico e periférico filosoficamente. Então a gente precisa refletir mesmo sobre como estudar ou sobre se fazer história da filosofia ou fazer filosofia. E ver como educar, porque mesmo a filosofia deseduca e, por isso, não podemos esquecer que não há neutralidade. Nem escola sem partido.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

D&G*

Dois aspectos muito importantes do projeto de Deleuze e Guattari nos foram a pouco revelados: a linguagem e a filosofia da história.
A linguagem do Anti-Édipo é a linguagem dos autos psicanalíticos, da literatura e do próprio inconsciente que flui pela boca do patológico. Há um estilo por trás da obra, estilo de difícil acesso em um momento complexo. Para se entender o obscuro tem que se inserir nele porque uma vez clareado o obscuro, ele perde sua natureza. É do relato, do conteúdo e da forma que se cristaliza o objeto e a mensagem é dada.
A filosofia da história é a filosofia da história universal da contingência. Não é uma história do desenvolvimento, uma história etapista. Não é uma não história ou ahistória. É uma história que não se enxerga sobre o tempo predominante, mas onde todos os tempos se sobrepõem e coexistem. Há outra história, mas é uma mesma história sempre e que tem o peso de uma história que aconteceu.
Precisamos pensar no agenciamento da linguagem com o devir, isso de fato precisa ser elucidado. Precisamos pensar na história das contingências como um ensinamento, como a história. O projeto de Deleuze e Guattari é amplo, extenso em sua intensidade e complexo, senão que irrestrito. Fomos seduzidos ou passaremos para o próximo?
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* despedida da filó em 2015 bem econômica. base da argumentação fornecida por Vladimir Safatle a respeito de Capitalismo e Esquizofrenia.