quinta-feira, 22 de abril de 2021

Tecnologia, um dilema

Somos reféns do passado, contra isso não se pode lutar. A gente chega em um mundo constituído, seja com suas agruras ou benesses. Há uma herança entranhada no corpo e essa parte física, sendo o que nos constitui, é o essencial. E só.

Então, resumindo, se há escolha, ela é fictícia. Há um contexto de nascimento, cultural, de possibilidades. Aí embutidos, lançam-se os dados. Aposta-se um número e a roleta gira. Se eu tenho o zap, eu posso trucar logo de cara, ou posso segurar, mas posso morrer com ele. Aclarando: por mais que haja um pensamento original, um fragmento de lucidez, tudo isso é intrínseco a uma panaceia que apresenta forte ligação entre suas partes. É a pangeia que não ocorreu, porque o próprio mar é vida. E, assim, todos nós interligados, seguimos.

Isso posto, sorrateiramente e talvez sem que queiramos, há um dispositivo. Há uma miríade de coisas. É lamentável que, em pleno século XXI, por mais que proliferem danos de ordem pessoal, isso tudo não esteja disponível para todos. Mas não é sobre isso, exatamente, que queremos tratar. Sobre autonomia, falaremos.

O que passa é que a espécime se aperfeiçoa e, obviamente, porque disso depende sua existência. Mas é um engodo achar que tudo ocorre sem nenhuma determinação ou, enviesadamente, nos acharmos senhores do tempo. Não! O tempo não é nosso, se bem que o tempo é, sim, uma criação nossa. Mas foi feito para ordenar, organizar, intervalar. É só isso, no frigir dos ovos.

De todo o modo, aperfeiçoar não é, necessariamente, ir para frente. O siri não nos deixa mentir. Seria um falso dilema? No final da história, tudo é lixo. Tudo, tudo, tudo é lixo. Consumimos lixo, somos lixo. Mas não façamos disso uma bandeira, bandeiras aprisionam. A superfície é tudo, menos latente. Desce, desce aí, escava, pode escavar à vontade, que não tem nada. E a tecnologia? É só o espelho de Narciso, não mais.


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