Pizzutti[i] nos lembra que elas são arbitrárias, algo que parece muito estranho. De acordo com o exemplo "rosa é uma cor mais escura que preto", se arbitrário, poderíamos utilizar essa expressão (ou norma de representação conforme o autor) por uma decisão individual?
Isso não parece um bom caminho porque cada um poderia ter uma escolha e, assim, deixaria de ser arbitrária. Há, em nossa formação conceitual, fatores biológicos, antropológicos e naturais que influenciam em nossa gramática. Por exemplo, a afirmação anterior só faz sentido porque temos a capacidade de ver um espectro de cores de de determinada forma.
Porém, "este condicionamento não determina univocamente nossas formas de representação." Haja vista geometria euclidiana e não-euclidiana. Isso posto, é possível ver que a gramática não é arbitrária por uma questão metafísica. Quando falamos que "o vermelho é uma cor", apenas usamos uma regra gramatical que permite falar de cores, em oposição a querer postular a natureza das cores. A justificação das proposições se dá no próprio uso da linguagem, não fora, mas sempre, em algum momento, de maneira arbitrária.
Reforçando esse ponto, uma proposição como "todo objeto tem uma extensão" não é necessária, mas uma regra gramatical, parte da estrutura linguística e não além. Regra arbitrária, não necessária - cindida a relação linguagem-realidade fica cindida, também, a necessidade da realidade.
Teremos mais a dizer sobre arbitrariedade, eu creio, na sequência.
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[i] Artigo que usamos referência. WITTGENSTEIN, A ARBITRARIEDADE DA GRAMÁTICA E O FIM DA FILOSOFIA ESPECULATIVA. Pedro Henrique Nogueira Pizzutti.
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