Sabemos que, para Wittgenstein, o segundo,
a linguagem não está envolta em metafísica. Isto é, que a linguagem espelha a
realidade (isomorfismo) - não, para ele a linguagem é uso e, nesse sentido,
determinada pela gramática. Ora, mas então, qual o fundamento das regras
gramaticais?
Pizzutti[i] nos lembra que elas são
arbitrárias, algo que parece muito estranho. De acordo com o exemplo "rosa
é uma cor mais escura que preto", se arbitrário, poderíamos utilizar essa
expressão (ou norma de representação conforme o autor) por uma
decisão individual?
Isso não parece um bom caminho porque cada
um poderia ter uma escolha e, assim, deixaria de ser arbitrária. Há, em nossa
formação conceitual, fatores biológicos, antropológicos e naturais que
influenciam em nossa gramática. Por exemplo, a afirmação anterior só faz
sentido porque temos a capacidade de ver um espectro de cores de determinada
forma.
Porém, "este condicionamento não
determina univocamente nossas formas de representação." Haja
vista geometria euclidiana e não-euclidiana. Isso posto, é possível ver que a
gramática não é arbitrária por uma questão metafísica. Quando falamos que
"o vermelho é uma cor", apenas usamos uma regra gramatical que
permite falar de cores, em oposição a querer postular a natureza das cores. A
justificação das proposições se dá no próprio uso da linguagem, não fora, mas
sempre, em algum momento, de maneira arbitrária.
Reforçando esse ponto, uma proposição como
"todo objeto tem uma extensão" não é necessária, mas uma regra
gramatical, parte da estrutura linguística e não além. Regra arbitrária, não
necessária - cindida a relação linguagem-realidade fica cindida, também, a
necessidade da realidade.
Teremos mais a dizer sobre arbitrariedade,
eu creio, na sequência.
[i] Artigo que usamos referência. WITTGENSTEIN, A ARBITRARIEDADE DA GRAMÁTICA E O FIM DA FILOSOFIA ESPECULATIVA. Pedro Henrique Nogueira Pizzutti.
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